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Quem somos, o que queremos

Vivemos em um mundo arcaico, ainda que moderno. Um mundo existente e com uma aparente vitalidade em seus movimentos e inovações, mas morto. Um sistema marcado pelo retorno a formas primitivas de exploração. Uma restauração das formas cruéis de relação entre o capital e o trabalho. Um sistema que devasta o planeta em que vivemos, uma ameaça real e imensa à possibilidade de sobrevivência de diversas espécies; dentre elas, a nossa.

O movimento do capital é entre o novo e o arcaico. Uma permanente tentativa de vivificação do cadáver capitalista, com formas agressivas nas relações assalariadas e nas agressivas formas militares e estatais. São visíveis os mecanismos de vigilância pessoal e de controle social.

O sistema retornou e mudou para o domínio de grandes corporações que controlam a esmagadora maioria da imprensa e da informação, os parlamentos, os judiciários, as polícias, as forças armadas e os sistemas estatais e governamentais.

O domínio financeiro e produtivo das corporações estabelece mecanismos acelerados de acumulação, concentração e centralização de capital. Isso implica o duplo mecanismo de destruição em massa de parte das unidades produtivas e comerciais independentes e de subordinação de outra parte como estruturas subordinadas e fornecedoras de lucros máximos aos controladores.

Correspondendo à economia política real a teoria da Economia construiu esquemas e modelos teóricos para explicar a superioridade desse novo estágio do capitalismo, moldando o pensamento coletivo a ideias universais, mas que nada possuem de universal, são meras expressões de interesses específicos dos setores que dominam o modo de produção capitalista hoje.

Opondo-se a esses mecanismos brutais temos a luta de setores sociais em todo o mundo contra a dominação em larga escala, a exploração acelerada, a destruição da natureza, o genocídio de diversos povos, a violência privada e estatal, as opressões sexual, raciais, religiosa e cultural. Tais resistências lutam contra inimigos próximos, porém movidos de longe, sem que o centro controlador e dirigente do domínio capitalista seja visto, compreendido e muito menos alcançado.

É urgente a necessidade de compreender e desmascarar as conexões de mecanismos globais, nacionais e locais. Só a capacidade de desvelar os vínculos entre setores financeiros e corporativos e suas ações específicas poderá permitir a união contra seus ditames. A possibilidade de superarmos o sistema de exploração e destruição capitalista depende de análise e interpretação da realidade. É para isso que pretendemos contribuir com a construção desse espaço coletivo de discussões e reflexões contra o capitalismo: A Comuna.