Por Wallace Armani

MAGAT nasceu da fusão inevitável das maiores corporações tecnológicas do século XXI. As letras de seu nome não eram apenas um acrônimo: Meta, Apple, Google, Amazon e Tesla. Estas corporações, antes competidoras vorazes, decidiram se unir para eliminar qualquer possibilidade de competição futura. O objetivo era claro: formar o monopólio definitivo, o controle total sobre a tecnologia, os dados, e, por fim, as vidas humanas. Era a conclusão natural de um sistema que sempre buscou o lucro acima de tudo. MAGAT surgiu como uma entidade monstruosa, que não apenas fabricava produtos, mas moldava consciências. Era a única governante verdadeira do planeta, pois não havia mais nações, apenas mercados.
Cada passo dado por um ser humano era rastreado, analisado e monetizado. MAGAT controlava os fluxos de comunicação, a infraestrutura de transportes e até a própria noção de realidade através de suas plataformas de realidade aumentada. A privacidade deixou de existir quando os dispositivos da empresa tornaram-se extensões obrigatórias dos corpos humanos. Tudo estava conectado a MAGAT, e tudo pertencia a ela. A fome por controle era insaciável, e a corporação impôs a sua vontade sobre o planeta com a frieza de uma máquina, uma que não descansava, não sentia e não falhava.
A exploração da classe trabalhadora alcançou níveis inimagináveis. Nas profundezas das fábricas automatizadas, milhares de operários trabalhavam em turnos ininterruptos, controlados por sistemas de vigilância que monitoravam cada movimento, cada batimento cardíaco. A vida reduzia-se a um ciclo sem fim de produção. Não havia direitos trabalhistas, não havia dignidade. A cada erro, as máquinas enviavam choques elétricos sutis, corrigindo o comportamento. A fome e o cansaço eram minimizados por suplementos artificiais fornecidos pela própria MAGAT. Trabalhadores eram considerados pouco mais que partes substituíveis da grande engrenagem.
Nas periferias das mega-cidades, onde os arranha-céus brilhantes da casta dominante se erguiam até o céu cinzento, milhões de pessoas viviam amontoadas em favelas tecnológicas. Essas comunidades eram alimentadas por resíduos industriais e energias remanescentes dos centros de poder. Não havia mais distinção entre humanos e máquinas. Implantados com dispositivos de monitoramento, os operários sequer tinham o direito de pensar. Cada pensamento fora monitorado, cada desejo redirecionado para alimentar a gigantesca corporação. MAGAT prometera liberdade e progresso, mas tudo o que oferecia era a servidão moderna.
Enquanto isso, os mais ricos, os acionistas e executivos da empresa, viviam em paraísos tecnológicos, em cidades flutuantes onde a natureza fora recriada artificialmente. Eles não precisavam sujar as mãos. Não precisavam olhar para a miséria que criaram. Os senhores do capital controlavam o mundo de cima, contemplando a realidade através de interfaces digitais que lhes ocultavam a realidade brutal da exploração.
O sistema de propaganda de MAGAT era tão onipresente quanto implacável. A cada esquina, a cada tela, a promessa de um futuro perfeito. “Conecte-se. Melhore-se. Seja MAGAT.” Era uma lavagem cerebral em escala global. O povo, exausto demais para questionar, aceitava a mentira. Afinal, o que mais poderiam fazer? Não havia para onde fugir. O mundo estava fechado, encapsulado pela corporação. A revolta parecia impossível. Mas nas sombras das fábricas, nos subterrâneos das cidades, o murmúrio de uma resistência começava a se formar.
Os trabalhadores sabiam que estavam sendo esmagados, mas o medo da represália os mantinha calados. Aqueles que ousavam se levantar desapareciam, apagados dos registros como se nunca tivessem existido. A classe operária vivia como escrava, condenada à servidão eterna em nome do lucro. No entanto, mesmo sob o peso da opressão, a faísca da revolução permanecia viva. A cada novo dia de trabalho, a revolta crescia como uma semente invisível, regada pelo sangue e suor dos explorados.
Nos campos de extração, onde recursos minerais raros eram arrancados das entranhas da Terra para alimentar as máquinas de MAGAT, os trabalhadores morriam jovens. Suas mãos, calejadas pelo trabalho incessante, eram o símbolo de sua luta. A produção de tecnologias avançadas era uma sentença de morte. Os corpos eram descartáveis, como peças que podiam ser substituídas sem que a máquina perdesse seu ritmo. Para MAGAT, a vida humana tinha menos valor do que os algoritmos que controlavam as fábricas.

A única esperança vinha da organização clandestina da classe trabalhadora. As vozes abafadas nas fábricas e nas ruas começaram a se unir em um único grito, uma demanda por justiça, por controle sobre suas próprias vidas. A revolução era o único caminho. Mas como lutar contra um sistema que parecia onipresente, contra uma corporação que detinha não apenas o poder político, mas o controle absoluto da informação? A resposta estava no próprio sistema que os oprimia. A revolução só seria possível se os trabalhadores tomassem os meios de produção. Eles precisariam retomar o controle das fábricas, das tecnologias, das cidades. O que MAGAT construíra para sua dominação seria a arma que os trabalhadores usariam para destruir o império capitalista.
Os primeiros sinais de insurreição começaram em fábricas remotas, onde os trabalhadores quebravam as câmeras de vigilância e assumiam o controle das máquinas. Lentamente, como uma praga que se espalha, os servidores de MAGAT começaram a ser sabotados, os sistemas de controle falhando, as produções cessando. O império começava a vacilar. A revolta se intensificou quando os operários perceberam seu poder coletivo. Não havia mais medo, apenas a certeza de que o capitalismo monopolista internacional havia chegado ao seu limite, e a única saída era a ditadura do proletariado.
Os dias seguintes à primeira grande greve foram caóticos. As máquinas, que antes dominavam o mundo, pararam. As fábricas ficaram em silêncio. As ruas, antes iluminadas pelas propagandas digitais de MAGAT, escureceram. As massas marcharam para os centros de poder, onde os executivos se escondiam atrás de seus portões de segurança. As cidades, antes dominadas pela ordem robótica da corporação, viraram campos de batalha. O confronto era inevitável.
A burguesia, apavorada, usou todos os meios à sua disposição para reprimir a revolta. Exércitos privados, drones de combate, inteligência artificial de guerra. Mas a resistência não era mais frágil. A classe trabalhadora se armou com as próprias ferramentas que MAGAT criara. Os servos do capital agora dominavam os sistemas de produção, as redes de dados, os armamentos tecnológicos. As batalhas foram longas e sangrentas, mas o poder de MAGAT começou a se desintegrar.
Os capitalistas tentaram negociar, oferecer concessões, mas era tarde demais. A revolução não queria remendos, queria a destruição completa da ordem capitalista. O povo, unido, marchou rumo à vitória, e quando os palácios da corporação caíram, os trabalhadores tomaram para si não apenas as fábricas, mas o controle do destino da humanidade. A ditadura do proletariado foi instaurada. Não havia mais espaço para a exploração. As máquinas agora serviriam ao bem comum, e não ao lucro.
O mundo que emergiu das cinzas de MAGAT era diferente. Pela primeira vez em séculos, a classe trabalhadora havia triunfado.
