Análise Crítica da Apologia à Lumpenização e ao PCO

Por Leonardo Lima Ribeiro

O presente texto tem como objetivo criticar a postura do Partido da Causa Operária (PCO) em relação à apologia a figuras como Neymar, sob a alegação de um posicionamento “anti-imperialista”. A análise crítica foca na problemática da lumpenização, destacando como a romantização desse fenômeno desvia a atenção da luta proletária e distorce a compreensão das dinâmicas sociais contemporâneas. A partir de uma perspectiva marxista e crítica à lógica capitalista, argumentaremos que a defesa de figuras como Neymar não representa resistência real, mas sim uma aceitação tácita da dinâmica de dominação atual.

Análise Crítica da Apologia à Lumpenização e ao PCO

A análise biopolítica dissimulada que o PCO aplica ao fazer apologia à lumpenização revela uma abordagem positivista-foucaultiana, o que compromete uma compreensão mais ampla e dialética da realidade social. Seu marxismo é inexistente. Ao romantizar a lumpenização, o PCO ignora as dinâmicas da luta de classes, marginalizando a verdadeira força revolucionária do proletariado. É importante frisar que a crítica aqui se volta não apenas à romantização do lumpenproletariado, mas à maneira como essa postura reflete uma compreensão superficial da realidade social. Essa perspectiva reduz a classe trabalhadora ao “em si” — ou seja, às suas condições materiais de existência e à sua posição na estrutura econômica — sem considerar sua capacidade de se organizar, desenvolver uma consciência de classe e agir como um “para si”. Ao romantizar ou naturalizar a lumpenização, essas teorias obscurecem as dinâmicas de luta de classes e o potencial emancipatório do proletariado.

A crítica ao PCO decorre de sua defesa de figuras como Neymar, sob o pretexto de um suposto “anti-imperialismo”. Tal defesa não resiste a uma análise mais profunda, já que Neymar, como ícone cultural emergente de camadas marginalizadas, ascendeu ao topo da estrutura capitalista sem qualquer compromisso com a transformação das condições que geram essa marginalização. Ele é apenas um entre muitos exemplos de figuras públicas que, ao serem celebradas como ícones de “sucesso”, perpetuam a lógica de exploração e opressão que sustentam o capitalismo global.

A defesa de Neymar pelo PCO, portanto, não representa uma resistência genuína ao imperialismo, mas sim uma celebração de uma figura que, ao atingir o auge dentro das estruturas capitalistas, não questiona essas mesmas estruturas. Isso é um reflexo claro da contradição entre o discurso anti-imperialista do PCO e suas práticas, que, ao fazer apologia a Neymar, reforçam a dinâmica individualista e capitalista de ascensão pessoal, sem propor uma transformação estrutural.

É preciso sempre relembrar que a postura do PCO, que, sob uma fachada marxista, utiliza abordagens foucaultianas para justificar a apologia à lumpenização. A crítica se dirige a essa contradição interna no discurso do PCO: enquanto reivindica um posicionamento anti-imperialista, promove, na prática, uma defesa de figuras que não representam uma luta revolucionária, mas sim uma integração passiva ao capitalismo global. Essas figuras, ao serem glorificadas, muitas vezes se tornam representantes de um capitalismo que explora a cultura popular e a identidade racial, sem, de fato, enfrentar as estruturas que perpetuam a desigualdade. A estrutura ideológica do PCO, com sua carcaça trotskista, oculta uma fundamentação foucaultiana que se revela na forma como aborda criticamente o poder político e a resistência. Embora não admitam, o pensamento de Foucault por eles utilizado opera no registro da regulação da vida social, onde a individualização lumpenizada dos “revoltosos” se torna uma forma de (des)controle que, paradoxalmente, pode ser utilizada para justificar a promoção de figuras que não desafiam a estrutura de dominação existente.

Neymar, assim como outras figuras de destaque, ao ser glorificado, não desafia as estruturas de dominação, mas reforça uma lógica de mercantilização da cultura e da exploração do corpo no sistema capitalista. Ao tratar Neymar como símbolo de resistência anti-imperialista, o PCO desvia o foco das lutas concretas da classe trabalhadora, promovendo uma aceitação implícita da ordem vigente, fundamentada no individualismo e na competição. Esse tipo de postura revela a adoção de uma abordagem que não apenas perpetua a dominação capitalista, mas, em última instância, fascistiza as relações sociais.

Neymar simboliza a mercantilização do talento e a exploração do corpo no sistema capitalista, representando uma integração ao capitalismo cultural e não uma subversão dele. Assim, ao tratar Neymar como uma figura de resistência anti-imperialista, o PCO desvia o foco das lutas concretas da classe trabalhadora, promovendo uma aceitação implícita da ordem vigente, baseada em individualismo e competição. Essa perspectiva se alinha a uma forma de biopolítica que prioriza a gestão da vida em termos de desempenho individual, em detrimento da luta coletiva por emancipação.

Quando menciono o termo “fascistização das relações sociais”, refiro-me ao processo no qual os elementos mais marginalizados e desorganizados são instrumentalizados e exaltados em discursos beligerantes que, ao invés de promoverem uma verdadeira emancipação, reforçam a desorganização e a dominação hierárquica. O Brasil, atualmente, vivencia um contexto semelhante ao da Itália fascista, onde a marginalização e desestruturação social servem de base para o fortalecimento de relações autoritárias. Eis o agravante do problema, não por acaso vermos o PCO tranquilamente mitigar fatos que envolvem frontalmente as revoltas de extrema direita lumpenizada.

Por fim, a crítica visa aqui desmascarar as táticas equivocadas do PCO, que, ao fazer apologia à lumpenização e celebrar figuras como Neymar, ignora a necessidade de construir uma consciência de classe e de lutar por uma transformação revolucionária. Não se espera uma “transformação emancipatória” por meio do lumpemproletariado, mas sim através da organização consciente do proletariado como sujeito revolucionário. Quando os lumpenizados — indivíduos marginalizados sem relação orgânica com os meios de produção — chegam ao poder, tendem a fascistizar as relações sociais, reforçando estruturas de dominação e hierarquia, em vez de promover uma transformação emancipatória. E, sem dúvida, o que está aqui em questão está muito distante de qualquer possibilidade de horizonte comunista.

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