DECLARAÇÃO DE APOIO A IVAN PINHEIRO

Os subscritores e subscritoras, dos termos gerais da presente declaração, se servem dela para solidarizar-se com o militante comunista Ivan Pinheiro e com o geral de suas propostas, principistas e programáticas, que defende, em 13.05.2025, em sua carta de afastamento orgânico do PCBR, organização que ajudou a fundar, com singular destaque. Cf. https://acomunarevista.org/2025/03/12/carta-de-afastamento-organico-do-pcbr-por-ivan-pinheiro/

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É ampla a consciência das dificuldades vividas nas últimas décadas pelas classes trabalhadoras do Brasil e do Mundo, diante do avanço das forças destrutivas das classes dominantes. As vanguardas organizadas, que resistem a esse impulso patológico, são cercadas por movimentos de defecção, de traição, de dispersão e de putrefação.

Em sentido contrário, se fortalece, em facções do movimento revolucionário, para além de suas origens e tradições, a necessidade de colaboração e aproximação principista das forças comunistas revolucionárias. Forças regidas pelos princípios propostos, em 1848, no Manifesto Comunista, por Karl Marx e F. Engels, e ampliados e precisados quando do assalto proletário ao poder, em 1917, sob a direção do Partido Bolchevique.

Para construir o futuro

Em 2023, com a participação destacada de Ivan Pinheiro, tomou corpo um movimento de ruptura com o PCB, criticado, pelos que se afastavam deste partido, duramente, por ter uma direção com tendências colaboracionistas e eleitoreiras, que se negava a respeitar a democracia e a disciplina partidária. A luta interna que se seguiu originou ruptura, sob o nome de PCB-Reconstrução Revolucionária, com congresso marcado para meados de 2023.

Para além de avaliações diversas, por múltiplas razões, sobre o sentido e a oportunidade daquela ruptura, ela despertou amplo interesse e, em alguns casos, expectativas variadas, entre militantes independentes ou organizados se reivindicando do marxismo e do comunismo revolucionários.

Expectativa apoiada na direção e participação, naquele movimento, de Ivan Pinheiro que, em mais de meio século de militância, avançou, em direção, e consolidou a compreensão sobre: a centralidade política do mundo do trabalho; o programa socialista, sem gradualismos; a necessária democracia operária nas organizações revolucionárias; a imprescindibilidade do internacionalismo.

Unificação dos Revolucionários 

Ivan Pinheiro participa e avança a ideia da necessidade da superação da autoproclamação de grupos-partidos como a vanguarda da revolução e da necessária convergência de forças comunistas revolucionárias, pouco importando as origens históricas. Participaram do congresso fundacional do PCBR representantes de organizações marxista-revolucionárias, com a qual o PCB-RR estabelecera relações prioritárias.

Se Ivan Pinheiro teve papel destacado na direção daquela ruptura, ela nasceu publicamente à sombra do midiático comunicador Jones Manuel, firme em posições políticas como biruta de aeroporto, que carregou com ele os militantes dos coletivos juvenis pecebista, de fortes vieses identitários.

Apenas fundada a nova organização, em pequeno golpe de Estado, Ivan Pinheiro foi marginalizado da Comissão Política Nacional (CPN), que passou a conduzir o agora batizado, em forma altissonante e pretensiosa, de Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, que se entregou sem reticências ao eleitoralismo  e ao projeto político individual de Jones Manoel.

Abraçado com a Burguesia Democrática

Na improvisada participação nas eleições municipais de outubro de 2024, a Comissão Política Nacional, sem maiores discussões, como lembra Ivan Pinheiro, estendeu os apoios eleitorais ao PT, PCdoB, PSB e PDT, e concedeu nos fatos liberdade plena para o bloguista Jones Manuel seguir construindo seus projetos políticos-midiáticos pessoais, desautorizando as determinações congressuais e as políticas do partido do qual participa de sua direção máxima.

O congresso de fundação do PCBR definiu a República Popular da China como nação imperialista. Jones Manuel seguiu defendendo a ação mundial positiva da China e promovendo os publicitários do “socialismo de mercado chinês”, com destaque para Elias Jabbour, o incontornável social media manager do Dragão Oriental no Brasil.

Em sua carta de afastamento orgânico, Ivan Pinheiro assinala que, ao criticar as “declarações e atitudes públicas de Jones Manoel”, criticava, sobretudo, os membros da Comissão Política Nacional, que, por “omissão, pusilanimidade e oportunismo político”, diante do sucesso de público do citado influenciador, esperam servir-se dele para o recrutamento na juventude, despreocupados com a qualidade do mesmo e com a inserção proletária do partido.

Jones Manuel reproduz, mutatis mutandis, o Instituto Cidadania, de 1993, que consagrou a autonomia política de Lula da Silva ao PT. Assim como a dissolução precoce, da capacidade de direção, pela base, organizada em núcleo, daquele partido, pelos parlamentares e gestores públicos, com amplo acesso à mídia e a recursos econômicos.

O que há de novo no poder dos influenciadores midiáticos de sucesso é a possibilidade de se autonomizarem [relativamente] das empresas de comunicação – televisão, rádio e jornais. Podendo, assim, se transformar, até quando é difícil de saber, em núcleos políticos individuais, apenas com o compromisso de perseguir o sucesso. Obedecendo, para tal, as flutuações da opinião política e de seus modismos, a necessidade de arrendar suas vozes para obter os recursos que financiem suas progressões e projetos.

A solidariedade, com o camarada Ivan Pinheiro, dos que assinam a presente declaração, diante da realidade que levou à sua separação do PCBR, constitui igualmente a reafirmação dos princípios gerais da necessidade de convergência dos comunistas revolucionários, sempre segundo os princípios do mundo do trabalho, na luta pela imprescindível emancipação dos explorados.

Por último, somos particularmente sensíveis aos esforços do camarada Ivan Pinheiro, via ruptura com o PCB e construção do PCBR, na luta pela consecução de uma frente anticapitalista e anti-imperialista, através do debate e da busca da unidade de ação consequente ,entre todas as forças efetivamente revolucionárias.

18 de março de 2025

Alex Minoru – (SP) 

André Mainardi – (SP) 

Bruna Machado dos Reis – (SC) 

Caio Dezorzi – (SP) 

Clovis Pfsltzgrsf – Funcionário Público aposentado (RJ)

Daniel Corrêa da Silva – (SC) 

Diogo Caminho – (MG) 

Edegardo Freitas – (SP) 

Edinho da Silva – (SC) 

Emerson Lopes Brotto – Advogado trabalhista (RS)

Erisson de Vasconcelos Queiroz – (CE) 

Euzébio Assumpção – Historiador, Professor, mov. negro (RS)

Evandro Colzani – (SC) 

Fábio Ramirez – (MT) 

Felipe Libório – (AM) 

Fernando Leal – (RJ) 

Flávia Antunes – (SC) 

Flávio Reis – (RJ) 

Florence Carboni – Linguista (Gênova – RS)

Francine Hellmann – (SC) 

Francis Madlener – (PR) 

Francisco Aviz – (SC) 

Gregório Carboni Maestri – Arquiteto (Itália)

Iago Paqui – (SC) 

Jacqueline Takara  – (SP) 

Joana Boaventura – Professora (RS)

Johannes Halter – (SP) 

Kanansue Gomes – (SP) 

Leonardo Mendes – (ES) 

Levy Sant’Anna – (SP) 

Lucas Dametto – (SP) 

Lucy Dias – (SP) 

Luiz Bicalho – (RJ) 

Luiz Devegili – (SC)

Luciano Pimentel – Historiador, professor (RS)

Mário Maestri – Historiador (RS)

Marconi de Mattos – Fotógrafo  (Suécia)

Marcos Andrade – (SP) 

Marcos Leibniz Barreto de Brito – (PB) 

Maritania Camargo – (SC) 

Mayara Colzani – (SC) 

Nélson Vilela Sales – Produtor de conteúdo digital (CE)

Osmar Medeiro Souza – criador, Alegrete (RS)

Pedro Henrique Corrêa – (RJ) 

Plinio de Arruda Sampaio Júnior – Economista (SP)

Rafael Prata – (SP) 

Raphael Campos – (RS) 

Renato Vivan – (PR) 

Rennan Valeriano – (SP) 

Romero Venâncio – Professor na UFS (SE)

Rosangela Soldatelli – (SC) 

Serge Goulart – (SC) 

Yuri Santorellh – (DF)

Wagner Cardoso Jardim – Historiador, Professor (RS)
Adesões: acomunarevista@gmail.com

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