Sobre Ghassan Kanafani (Por Yasser Fayad)

(00:03) Olá, esse é mais um vídeo curto sobre a causa palestina e eu quero conversar com vocês sobre Ghassan Kanafani. No último 8 de julho, nós lembramos os 53 anos do martírio de Ghassan Kanafani. Ghassan era um escritor, um militante da causa palestina e um intelectual de matriz marxista. Assassinado no dia 8 de julho de 1972 pelo terrorismo judaico sionista em Beirute, no Líbano.
(00:40) Nós temos o hábito de lembrar o martírio do Ghassan e não a data de seu aniversário. Isso por causa de um pedido dele. Ghassan nasceu no dia 9 de abril de 1936. Porém, quando ele tinha 12 anos de idade, essa mesma data, em 1948, se tornou a data do massacre de Deir Yassin. Massacre a uma aldeia palestina nos arredores de Jerusalém, que fazia já parte dos preparativos da Nakba, a grande catástrofe planejada contra o povo palestino, que levou a mais da metade da população palestina a ser expulsa de seu território milenar.
(01:35) Dado esse fato, Ghassan nunca mais comemorou seu aniversário. Provavelmente nenhum palestino, se fosse levado isso em consideração, poderia comemorar nenhuma data. Todas as datas dos do calendário é repleta de assassinatos de do povo palestino por parte do processo de colonização. Gassan tem um conto chamado muros de ferro.
(02:06) É um conto que com que tem como enredo a história de três irmãos. um irmão mais novo, um irmão do meio e um irmão mais velho. O irmão mais novo ganha de presente um pássaro numa gaiola, um pássaro selvagem e que eh não se adapta à gaiola, vive se debatendo contra ela. O irmão do meio é o irmão narrador do conto.
(02:37) E a história ah, gira em torno da tentativa de fazer com que esse pássaro pare de se debater, pare de se machucar contra a gaiola. Apesar de o conto girar em torno da criança menor e da criança do meio, o irmão mais velho é, na verdade, o personagem principal, porque o conto todo é construído por um momento final.
(03:04) O momento final é quando o pássaro para de se debater na gaiola, aceita a sua condição de prisioneiro naquela gaiola. O que faz o pequeno ficar feliz, dado que o pássaro não se debate mais e não se machuca mais. O irmão do meio contente por aquela situação. E aparece o irmão mais velho naquele momento. Ele se aproxima da gaiola, olha para o pássaro e diz: “Agora ele está morto.
(03:41) ” Quem não luta pela libertação, quem aceita a prisão da colonização judaico-sionista na Palestina, já está morto. Esse era o recado que Ghassan queria passar. 53 anos depois, o povo palestino continua lutando e mais do que nunca entende o significado da luta paraa sua existência, a existência de seu território milenar.
(04:09) E essa luta adquire cada vez mais dimensões internacionais. Estar a favor da causa palestina é honrar o legado de tantos e tantos lutadores e lutadoras, estar próximo de uma dimensão fundamental da transformação social. Só a luta transforma o mundo. Só a luta é capaz de libertar o mundo. Viva Ghassan Kanafani! Viva o povo palestino!

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