A ascensão do fascismo é uma realidade. Alguns fatos que vêm se consolidando são sintomas demonstrativos reais do que está ocorrendo. Independente de ser o PT ou não a se dizer protagonista nessa luta, utilizando-a de modo instrumentalizado, é evidente que os focos diversos de microconflitos, na base da sociedade e sua expansão no topo do poder político, anunciam a recrudescência do fascismo em potência.
Por outro lado, acho que de fato o PT quer perpetuar uma visão parcial a respeito do fenômeno, e não para afastá-lo, mas para utilizá-lo como meio pelo qual é manufaturado um medo social controlado. Assim, controlam o eleitorado com base no alarmismo e no medo. É um soft power eleitoral muito forte.
Contudo, deveríamos insistir na assertiva de que é preciso desvincular o antifascismo do modo pelo qual o PT o coloniza (não para cair no alarmismo, mas para combatê-lo verdadeiramente). Em realidade, sabemos que se aceitarmos a premissa de que o PT precisa manter a existência do fascismo para retroalimentar a política de votos, é preciso dizer que o partido é também uma das engrenagens de sua produção. O que ocorre não através especificamente do social-liberalismo, mas do social-fascismo em capitalismo de economia dependente ou pulverizada. Algo típico da social-democracia, que arma terreno para impulsionar a extrema-direita, mesmo a pretexto de querer combatê-la.
Enfim, é preciso anunciar dialeticamente tal dinâmica. Portanto, tanto quanto a necessidade de superação da extrema-direita, faz-se necessária a ruptura em médio prazo com a social-democracia sob a batuta desse modelo ptista. Estamos com a corda no pescoço.
Observem o caso de Glauber Braga. Aquilo que foi decidido para impedir a cassação do seu mandato foi visto como uma vitória. Suspenderam o mandato do cara e todo mundo resolveu aplaudir. Inclusive, a proposta de suspensão emergiu do próprio partido do Glauber. Chamar a suspensão do mandato dele de vitória é de um cinismo que apenas impulsiona ainda mais a força dos fascistas. Apenas na superfície houve a derrota ou a contenção da extrema-direita nessa pauta. É isso que chamamos de social-fascismo sob o formato de festa da democracia dentro do congresso por exemplo. Tosco demais.
Se fosse um caso isolado até seria compreensível. Mas esse é um padrão que promove a infiltração de forças reacionárias nos quadros da esquerda, em associação de acordos de bastidores que envolvem até o Kim Kataguiri. Não se trata de um quadro que envolve um indivíduo.
Trata-se de um quadro conjuntural que atravessa os pares. E é nesse sentido que a dialética é necessária sim. Não levar isso em consideração é ser conivente com a ascensão da extrema-direita entre os nossos quadros. Luta antifascista uma ova. A suspensão de Glauber foi um pacto com os setores mais reacionários do congresso, sob o perfume da democracia parlamentar. Esse caso é o testemunho real de que dentro do parlamento e dos partidos oficiais de esquerda não há luta antifascista real.
A esquerda institucional negociando sua própria punição e chamando isso de resistência. Enquanto isso, as bases sociais do fascismo (desigualdade, militarização, cultura do ódio, impunidade das elites) seguem intocadas.
Acho que há uma esquizofrenia da esquerda que defendeu a suspensão de Glauber. Diz querer lutar contra o fascismo negociando a suspensão de um dos quadros que é mais radical do que ela permite dentro do parlamento. Na verdade foi um golpe contra o próprio Glauber.
Excelente maneira de lutar contra a cassação e contra o fascismo.. Isolar um quadro mais radical dentro do parlamento é a solução. Não é por acaso que as bizarrices dos mensalões surgem com a conivência da própria esquerda, que destrói seus quadros para se manter em conformidade com as regras do lawfare.
