A corrupção burguesa do banco Master ou “O que é um assalto a um banco comparado à fundação de um banco?” (Por Cem Flores)

Cem Flores

05.02.2026

 “O que é um assalto a um banco comparado à fundação de um banco?

Bertolt Brecht. A Ópera dos Três Vinténs (1928)

O escândalo do momento no capitalismo brasileiro é a mega fraude financeira do banco Master. Seus quase R$ 50 bilhões, embora recordes (por enquanto), constituem apenas o caso mais recente da infindável lista de corrupção burguesa no Brasil. Antes, em abril de 2025, foi descoberta a bilionária fraude aos aposentados e pensionistas do INSS, que eram roubados por meio de descontos e empréstimos fraudados. Em janeiro de 2023, foi desmascarada a fraude financeira de mais de R$ 20 bilhões das Lojas Americanas, que tinha como donos três dos maiores bilionários do país.

Nessa sequência quase infinita de roubo, corrupção e fraudes há de tudo: emendas parlamentares do orçamento secreto, fraudes em licitações, compras de vacinas e respiradores superfaturados durante a Covid, rachadinhas de parlamentares e propinas a políticos, desvios em fundos de pensão, corrupção em julgamentos tributários para aliviar o pagamento de impostos das grandes empresas, superfaturamento de obras públicas, evasão de divisas, além, é claro, do petrolão e do mensalão.

O roubo, a corrupção e a fraude fazem parte do funcionamento normal do capitalismo. Fazem parte do modo de agir ordinário da burguesia, de seus representantes políticos e dirigentes estatais. Não são, de nenhuma maneira, exceções. Na realidade, a exceção é a punição dos barões ladrões. Mesmo quando descobertos, a grande maioria sai impune ou com penas irrisórias – e continuam ricos! E se o número de casos descobertos parece grande, muito maior é a quantidade daqueles que continuam desconhecidos, que continuam enchendo os bolsos dos patrões cotidianamente, enquanto a vida das massas trabalhadoras segue dura e difícil.

Os “negócios” fraudulentos e a pirâmide financeira do banco Master

Como acontece com todo bom burguês, o histórico de Daniel Vorcaro, dono do banco Master, é uma longa sequência de falências, roubos, fraudes, subornos e corrupção. De acordo com matéria de outubro de 2024 da revista piauí, ele faliu uma empresa do ramo educacional e depois roubou dinheiro público do financiamento de obra da copa do mundo de 2014 que nunca concluiu. Seu currículo estava pronto para um dar um salto e entrar no mercado financeiro! A oportunidade apareceu quanto o banco Máxima foi fechado por fraude, em 2016. No ano seguinte, Vorcaro começou a tentar comprar o banco, conseguiu em 2019 e mudou o nome para Master em 2021.

No setor bancário, sua trajetória foi, não apenas mantida, como aprofundada! Em 2020, foi investigado em operação da polícia federal por fraudes a institutos de pensão. Em 2021 e 2022, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por manipulação de preços de ações, operações financeiras fraudulentas e gestão fraudulenta de fundos. Em todos os casos, ou foi culpado ou fez acordo com a CVM e acabou pagando valores irrisórios diante dos lucros dos seus crimes. Para o capital, o crime compensa!

A “acumulação primitiva” das operações bancárias do Master está na corrupção das privatizações. Em 2018, Rui Costa, atual ministro da casa civil de Lula e então governador do PT da Bahia, privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e a rede de supermercados Cesta do Povo, por R$ 15 milhões, para um “investidor” que, no ano seguinte, viraria sócio do Master. Esse “investidor”, Augusto Lima, já tinha relações com o PT e com o governo da Bahia desde o governo de Jaques Wagner (2007-14), à época secretário de desenvolvimento econômico e atual líder do governo no senado. Duas semanas depois veio o presente: o novo dono da Ebal/Cesta do Povo, agora privado, também poderia operar o Credcesta, o crédito consignado de todos os servidores públicos do estado – em caráter monopolista por 15 anos. Em conjunto com a posterior expansão do banco, o Credcesta se nacionalizou, chegando a 24 estados e 176 municípios. Assim, o gasto inicial de R$ 15 milhões se transformou em juros extorsivos para os trabalhadores e lucros bilionários para os banqueiros.

Outra mistura de fraude, corrupção e suborno foram as aplicações de fundos de pensão, dinheiro público e dos trabalhadores, em “investimentos” no Master. O maior foi o Rioprevidência, do Rio de Janeiro, com R$ 1 bilhão. Não satisfeito, o governador bolsonarista Cláudio Castroresponsável pela maior chacina do Rio de Janeiro, ainda premiou o Master, em junho de 2021, com a exclusividade de operação do crédito consignado para os servidores do estado. Também no Rio, o fundo de previdência dos funcionários da Cedae (companhia de água e esgoto), privatizada, tinha R$ 220 milhões no banco. No fundo dos trabalhadores públicos do Amapá, Amaprev, sob influência de Davi Alcolumbre, presidente do senado, o rombo foi de R$ 400 milhões. O fundo dos funcionários da prefeitura de Maceió, Iprev, investiu R$ 110 milhões, sob a direção de um aliado de Arthur LiraAo todo, são 18 fundos, somando quase R$ 2 bilhões.

Ou seja, as operações do Master se ampliaram a partir de relações promíscuas com governadores e outros políticos, garantindo receitas públicas e dos trabalhadores crescentes para o banco – que simplesmente desapareceram com as fraudes e a corrupção, deixando os banqueiros mais ricos e os trabalhadores, mais pobres e sem aposentadoria.

Outra parceira de “negócios” do Master foi a Reag Investimentos, agora liquidada, parte da rede de financiamento do PCC, que envolvia mais de 40 gestores de fundos e outras instituições financeiras. Os crimes são os mesmos: fraude na gestão de fundos, ocultação de bens e valores, emissão de títulos falsos, além de lavagem de dinheiro de postos de combustíveis etc. Em 2023, o Master, a Reag e a XP fizeram um investimento conjunto e compraram o Will Bank – também liquidado.

Essa sequência de “negócios” rendeu ao Master um crescimento espetacular e, claro, fictício e fraudulento. De 2019 a 2024, a emissão de CDBs do Master aumentou 1.900%, passando de R$ 2,5 bilhões para R$ 50 bilhões. Já o patrimônio líquido do banco se multiplicou 23 vezes, de R$ 0,2 bilhão para R$ 5 bilhões no mesmo período. No mesmo ritmo cresceu a fortuna dos banqueiros ladrões (perdão pelo pleonasmo…).

Toda essa expansão dos “negócios” e lucros do Master era um enorme esquema de pirâmide, um castelo de cartas, uma fraude financeira com valores fictícios e especulativos. Tudo de amplo conhecimento no mercado financeiro e, de forma crescente, por governos, políticos, imprensa e o público. Para garantir um fluxo contínuo de recursos/lucro, os CDBs do Master pagavam juros dos mais elevados do mercado (4 ou 5 pontos percentuais acima da Selic, a enorme remuneração básica dos demais bancos). Contava com a XP e o BTG Pactual para vender esses CDBs, pagando comissões oito vezes maiores que o padrão (4% contra 0,5%). O que garantia que a roda continuasse girando era a promessa que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido pelo próprio setor financeiro, pagaria os “investidores” no caso de quebra do Master. Quando os títulos venciam, a dívida era paga com a emissão de novos títulos, com juros ainda mais altos, empurrando a crescente bola de neve para frente.

Esses recursos eram então investidos em empresas falidas ou privatizadas e em precatórios, na velha esperança de comprar na baixa e vender na alta. A fraude era ainda maior quando essas empresas eram, de maneira camuflada, propriedade dos donos do Master. Completava o esquema a maquiagem contábil do balanço do banco, valorizando artificialmente seus fundos e outros ativos para fingir que cumpria as regras de capital do banco central e, assim, continuar em atividade, além de possibilitar lucros fictícios – que, no entanto, eram bem reais nos bolsos dos bilionários banqueiros ladrões (pleonasmo superlativo!).

Enquanto o esquema funcionou, essa corja toda ganhava. Os “investidores” faturavam bem acima dos já elevadíssimos juros “de mercado”. Bancos como a XP e o BTG Pactual faturavam comissões generosas. Os donos do Master engoliam a maior parte, os lucros oriundos do roubo (mais um pleonasmo!). E ainda eram premiados pelo seu empreendedorismo por grupos de lobby empresarial como o Lide, de João Doria. Havia ainda, é claro, uma infinidade de políticos, gestores de fundos de pensão e outros envolvidos recebendo régios subornos e propinas. Tudo isso até a bolha estourar…

A ampla teia de “influências” agindo para salvar o Master

À esquerda, o tamanho recorde da fraude bancária. À direita, uma parte dos responsáveis pela pirâmide do Master (de baixo para cima, da esquerda para a direita): o ex-presidente do banco central, o bolsonarista Campos Neto; o ex-presidente do BRB, Paulo Costa; o ex-presidente da CVM, João Pedro Nascimento; o dono oculto do Master, Nelson Tanure; o ministro da casa civil de Lula, Rui Costa; o lobista do Master e ex-ministro da fazenda de Lula, Guido Mantega; o governador bolsonarista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha; o senador lobista do Master e ex-ministro da casa civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira; e Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Como todo o grande “negócio” do capital, o banco Master teceu amplas teias de influência entre governo e oposição, parlamentares e ministros do STF, influenciadores digitais e imprensa, mercados financeiros e outros setores da burguesia. Os objetivos eram claros: em primeiro lugar, expandir os “negócios” e os lucros do banco e, também, claro, proteger seus “interesses”. Depois de cinco anos de lucrativas negociatas, ao final de 2024 já estava impossível esconder a magnitude da fraude e do roubo. Os bancos restringiram a venda de CDBs do Master, o banco central passou a exigir uma capitalização adicional de R$ 2 bilhões e havia R$ 12 bilhões de CDBs vencendo em 2025. Era a hora da “rede de proteção” começar a atuar.

A saída dos fraudadores foi redobrar a aposta na fraude. Para isso, contaram com a “ajuda” de toda a sua ampla rede de influência no mundo político e jurídico, montada a muito “custo”Ciro Nogueira – ex-apoiador de Lula e do PT e ex-ministro da casa civil de Bolsonaro, acusado de receber propina da Odebrecht, da JBS e de desviar recursos da Petrobrás – propôs a chamada “emenda Master” no senado, para quadruplicar a garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, numa tentativa de ampliar a rede de proteção das fraudes do Master. A tentativa não deu certo nem no senado nem na câmara dos deputados, onde foi proposta pelo também bolsonarista Filipe de Barros – afinal os grandes bancos também têm suas bancadas parlamentares e foram contra.

No congresso e entre os políticos, também são citados como liderando a bancada Master no centrão o ex-presidente da câmara dos deputados, Arthur Lira, e o atual, Hugo Mota. Outro “abre portas” de Daniel Vorcaro seria Antônio Rueda, o poderoso presidente da federação União Progressista (União Brasil e Progressistas), com a maior bancada parlamentar, que comanda politicamente a Rioprevidência e teria apresentado Vorcaro à cúpula do governo do Distrito Federal e do BRB. Michel Temer não poderia faltar na rede de “influência”, da qual consta como buscando destravar a negociata entre o Master e o BRB, contatado ou contratado pelos dois lados.

Ainda no bolsonarismo, há o caso da Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte. A igreja também é dona de uma instituição financeira, cujas operações são investigadas por suspeitas de atuação conjunta com o Master e por fraudes a aposentados e pensionistas do INSS. O cunhado de Vorcaro é pastor da igreja e dono de um fundo de investimento em sociedade com o Master. Ele não apenas foi o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio em 2022, como foi preso pela polícia federal tentando fugir do país em seu jatinho particular – igual a Vorcaro… Essa, por sinal, é a igreja de Nikolas Ferreira, deputado bolsonarista mineiro, com possíveis relações com o banqueiro ladrão.

No caso do PT, mais uma “ajuda” ao Master veio de Guido Mantega, ex-ministro da fazenda de Lula e Dilma. Indicado por Jaques Wagner para o conselho do banco, com remuneração mensal de R$ 1 milhão, seu papel era garantir acesso dos donos do Master ao poder executivo. Mantega foi bem-sucedido, colocando Daniel Vorcaro frente a frente com Lula, dentro do Palácio do Planalto, com ministros e o banco central.

Outros membros desse conselho eram Henrique Meirelles, presidente do banco central do Lula e ministro da fazenda de Temer, e Gustavo Loyola, presidente do banco central de FHC. Além deles, Ricardo Lewandowski, que entrou para o conselho assim que se aposentou do STF. Lewandowski também foi advogado do Master, deixando os milhões em honorários para seus filhos quando virou ministro da justiça de Lula.

Por falar em STF, a bancada Master incluía, além de Lewandowsi, Luís Roberto Barroso, participante de eventos financiados pelo banco, Gilmar Mendes, que tinha no Master um dos principais financiadores dos famosos “Gilmarpalooza”, Dias Toffoli (mais detalhes a seguir) e Alexandre de Morais. Nesse último caso, há relatos de conversas de Alexandre de Morais com o presidente do banco central em defesa do Master. O que é certo, ao menos por enquanto, é um contrato do Master com o escritório de advocacia da esposa de Morais. Os honorários são de deixar Lewandowski envergonhado pelo seu baixo preço. Viviane Barci de Moraes pretendia embolsar R$ 129 milhões, ou R$ 3,6 milhões por mês, sem se dar nenhum trabalho!

O elo mais direto dessa teia de influências para salvar o Master da falência, no entanto, estava no governo do Distrito Federal. O governador bolsonarista Ibaneis Rocha, elemento importante na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2021, e seu secretário de economia, Ney Ferraz – condenado por lavagem de dinheiro, recebimento de propina e ocultação de bens a seis anos de semiaberto – estenderam a mão e vários bilhões de reais para o Master. Ou seja, mais uma vez, se tratava de dinheiro público para financiar a fraude e os lucros privados.

Ainda em meados de 2024, o Master começou a desovar no banco público do Distrito Federal, o BRB, parte de suas carteiras de crédito podre ou mesmo inexistentes. O BRB ficava com a fraude e o Master limpava seu balanço e ainda recebia o valor integral, superfaturado, em dinheiro! Essa fraude chegou a R$ 12 bilhões.

Ou essa injeção bilionária de capital não foi suficiente, ou os banqueiros e os políticos quiseram mais. No começo de 2025, o governador Ibaneis, por meio do BRB, propôs comprar 49% do poder de voto do Master por mais R$ 2 bilhões. Ou seja, o BRB colocava mais R$ 2 bilhões no Master e Vorcaro continuava mandando no banco! Negócio similar a esse foi a “compra” do banco Panamericano, do Sílvio Santos, pela Caixa em 2009. Por um pouco menos de R$ 1 bilhão em valores da época, o governo federal capitalizou o banco privado e ficou com os mesmos 49% do poder de voto do negócio. Claro que era uma fraude, que levou a inquérito da polícia federal, mas depois tudo ficou na conta do “deixa disso”. Em 2021, o banco, recuperado com dinheiro público, foi vendido para o BTG Pactual.

A fraude era tão evidente que não foi aprovada. Em seguida, o Master tentou uma negociata com um tal de grupo Fictor, também não aprovada – e esse grupo acabou de decretar falência com uma dívida de R$ 4 bilhões. Vorcaro ainda fingiu que ia negociar a venda do banco nas Arábias, mas foi preso quando tentava fugir do país em seu jatinho…

No final de 2025, o Master foi finalmente liquidado pelo banco central, tendo só R$ 4 milhões em caixa, contra um passivo de R$ 50 bilhões só de CDBs. Na sequência também foram liquidados Will Bank, Reag e demais instituições envolvidas. O BRB enfrenta problemas oriundos das carteiras fraudulentas adquiridas e deve ser necessária uma capitalização adicional de até R$ 5 bilhõesComo sempre, portanto, quem paga o custo do lucro privado são os trabalhadores, que veem seus recursos, suas poupanças e suas aposentadorias em risco pela fraude e corrupção burguesas.

Com o banco liquidado, as aranhas da teia do Master passaram a se mover para desfazer a liquidação ou anular o processo alegando falhas diversas, em ambos os casos interessados em faturar indenizações bilionárias com dinheiro público. No TCU, um pedido de investigação do ministério público pela demora do banco central em liquidar o Master foi parar nas mãos do ex-deputado do centrão Jhonatas de Jesus, indicado para o cargo por Arthur Lira. A investigação subitamente passou a ser sobre a “precipitação” do banco central na liquidação. O ministro cobrou esclarecimentos em 72 horas e inspeção nos documentos do banco central, e impediu a venda de ativos para não causar danos “potencialmente irreversíveis” ao patrimônio do Master e prometeu reverter a liquidação do banco. Coube ao presidente do TCU, Vital do Rêgo (ex-senador do MDB e irmão do atual senador do MDB da Paraíba), livrar o TCU desse abacaxi e jogar a reversão da liquidação no colo do STF – que aceitou de bom grado.

No STF, o caso caiu no colo de Toffoli, candidato reprovado duas vezes no concurso de juiz, indicado ao STF por Lula, aliado de Bolsonaro, e que agora busca fazer as pazes com Lula novamente. Toffoli evocou para si mesmo toda a competência sobre o inquérito sob o pretexto da citação casual de um deputado federal, um pouco antes de ter viajado para o Peru com o advogado do Master no jatinho de um “empresário amigo”. As medidas de Toffoli centralizaram investigações, decretaram sigilo absoluto sobre seu conteúdo, restringiram acesso a provas, designaram quais peritos da polícia federal poderiam periciar o material, definiram quais perguntas a delegada da PF deveria fazer aos interrogados, e determinaram período mínimo para a instrução criminal.

Como se não bastasse tudo isso, descobriu-se que dois irmãos do ministro eram supostamente donos de um resort de luxo no Paraná. O Tayayá era na prática um segundo gabinete de despachos de Toffoli, onde recebia políticos e empresários, como André Esteves, banqueiro do BTG Pactual. Numa enorme “coincidência”, mas nenhuma surpresa!, em 2021 uma parte do “negócio” foi vendida para um fundo de investimento do cunhado do dono do Master.

Mesmo com as “controvertidas” decisões monocráticas de Toffoli e seu notório envolvimento com o réu, o ministro ganhou apoio enfático de Gilmar Mendes e de Alexandre de Moraes para continuar à frente do caso. O presidente do STF, Edson Fachin, foi além e divulgou uma nota oficial explicitando a defesa corporativa de Toffoli contra inventadas “ameaças ou intimidações”. Pela Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet achou tudo normal e arquivou pedidos de investigação de Toffoli. Também achou lícito o contrato da mulher de Moraes com o Master.

A novela dessa gigantesca fraude financeira, com seu longo rastro de corrupção e suborno, está ainda longe do fim. Ainda veremos uma e outra vez a defesa a soldo do barão ladrão se manifestando por diversos meios, em sua maioria ocultos, nos três poderes e na imprensa. E quando esse caso submergir, com a maior probabilidade impune e com seus custos arcados pelas contas públicas e pelos trabalhadores, será substituído por outros similares, que repetirão a trilha da burguesia corrupta.

O fim da corrupção burguesa só acontecerá com a derrubada do capitalismo

A raiz profunda da corrupção do capitalismo é a “auri sacra fames”, a fome sagrada pelo ouro, do modo de produção que coloca o lucro máximo como objetivo fundamental, a ser perseguido a qualquer custo. O que a fraude do banco Master permite vislumbrar é apenas uma parcela muito pequena das entranhas do capitalismo, seja no Brasil, seja em qualquer lugar do mundo. Os mais variados crimes burgueses acontecem com a absoluta certeza de impunidade e de que o crime compensa – desde que os lucros sejam grandes o suficiente.

Contra esse sistema apodrecido corrupto, cabe aos trabalhadores e às trabalhadoras do Brasil e de todos os países do mundo reerguerem a bandeira vermelha da Revolução Socialista, da República Operária e Camponesa, e derrubar de vez o regime capitalista de exploração e opressão da imensa maioria por um punhado de patrões ricos e corruptos!

CANÇÃO DE FUNDAÇÃO DO NATIONAL DEPOSIT BANK

Bertolt Brecht (1930)

Sim, fundar um banco

Todos devem achar correto

Não podendo herdar fortuna

É preciso juntá-la de algum jeito.

Para isso as ações são melhores

Do que faca e revólver.

Mas uma coisa é fatal

É preciso capital inicial.

E não havendo o dinheiro

Onde obter, senão roubando?

Ah, sobre isso não vamos discutir

Onde o obtiveram os outros bancos?

De algum lugar ele veio

De alguém ele foi retirado.

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