Dia das mães: o que devemos relatar para além da felicidade na data a ser comemorada?

Por Leonardo Lima Ribeiro, membro do comitê de publicação da revista e do canal A Comuna.

Para aqueles que sabem o peso do que significa, desde a infância, viver sem a presença materna


A vida das mães trabalhadoras não é simples. Muitas delas têm um ritmo de labor acelerado, pressionadas pelas exigências do cotidiano. O modelo de sociedade em que vivemos sobrecarrega muitas mulheres, principalmente aquelas que são mães.

Os desafios se iniciam já no período de gestação, com as mães trabalhadoras tendo que lhe dar com receio de perderem seus empregos após o fim de suas licenças-maternidade.

O número de trabalhadoras demitidas após o retorno ao trabalho formal é alarmante. Segundo diversas fontes de pesquisa, cerca de cinquenta por cento (50%) das mães brasileiras já foram demitidas de seus trabalhos. Entre o período de aleitamento materno e a ansiedade de ver-se sem trabalho, muitas não podem optar pela primeira opção, sendo indiretamente forçadas a procurar um novo trabalho e, paralelamente, alimentar mal suas crianças com fórmulas industrializadas como substituição ao leite materno.


Cabe ressaltar que, além de perderem o direito aos seus trabalhos, boa parte dessas mães é abandonada pelo pai de seus filhos. O abandono dos pais em relação à prole é muito comum no Brasil. Sem o apoio financeiro paterno, desempregadas ou mesmo com empregos informais as mães precisam recorrer ao apoio de suas famílias. Para conseguirem meios alternativos para sustentação dos filhos, as mães precisam recorrer à ajuda dos seus pais (os avós maternos). É a única forma de procurarem por alternativas para continuarem sobrevivendo, dando amparo para os que delas necessitam.


Quando retornam ao trabalho, ou largadas com os filhos nos braços ao pé do asfalto, não têm uma vida fácil. Com jornadas exaustivas, as quais se estendem para além das condições corporais e mentais na garantia de suas saúdes, as mães seguem em frente. A maioria delas não possui a liberdade de produzir melhores condições de vida, para si e para os outros. São cerceadas em seus direitos básicos, no compasso que são envenenadas subjetivamente pelos piores produtos culturais manufaturados pelo mass media que correm em paralelo com os impulsos hedonistas e ultranarcisistas do neoliberalismo.


Estando ciente desse contexto, relembro que o presente dia das mães deve trazer à tona o expresso mencionado que também está em questão. Por trás da felicidade, a ser comemorada no dia 14 de maio, as mães devem ser parabenizadas principalmente pelas suas lutas diárias, ao passo em que não podem furtar-se à realidade discriminada.

O sorriso muitas vezes é o verniz que esconde o choro e o ressentimento constante, advindo da exploração e descaso sofridos, por meio de um metabolismo social terrível, principalmente no tocante às mães negras. É obrigação moral e humanista apoiarmos a luta das mães trabalhadoras deste país.

Desejamos um ótimo domingo a todas as mães deste país. Temos a obrigação ética de aqui apontar que a felicidade desejada contém ao fundo os percalços advindos da máquina capitalista de moer gente e, principalmente, sacrificar mulheres negras.

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