Netanyahu, o CEO da Indústria da Morte (Por Wallace Armani)

Introdução

A figura de Benjamin Netanyahu emerge como um dos paradoxos mais contundentes da política contemporânea. Longe de ser apenas mais um líder autoritário entre tantos, Netanyahu condensa em sua trajetória a fusão entre violência de Estado, colonialismo de ocupação e a legitimação internacional da barbárie. Seu governo não pode ser lido em termos episódicos ou conjunturais, pois os crimes que o sustentam não derivam de excessos ocasionais, mas de uma política de Estado sistemática, consolidada e normalizada no cenário global. O bloqueio econômico imposto à Faixa de Gaza, o bombardeio sistemático de civis e a negação de direitos básicos aos palestinos configuram práticas que não apenas violam convenções internacionais, mas se enquadram, sem ambiguidade, nos parâmetros de genocídio definidos pela Convenção da ONU de 1948.

Essa realidade, contudo, se agrava diante do estatuto excepcional concedido a Israel e a seu primeiro-ministro. Enquanto outros Estados são alvos de sanções e isolamentos diplomáticos por violações graves, Netanyahu atua sob o manto de uma impunidade garantida pelas principais potências ocidentais. Tal assimetria não é fruto do acaso, mas expressão da lógica seletiva da ordem internacional dita “baseada em regras”, em que a aplicação do direito é filtrada por interesses geopolíticos. A disparidade entre a condenação da Rússia e a blindagem sistemática de Israel evidencia que não se trata de um conflito entre iguais, mas de um colonialismo em pleno século XXI, travestido de autodefesa e sustentado pelo aparato militar mais sofisticado do mundo.

Netanyahu, no entanto, não deve ser compreendido como uma anomalia ou desvio moral da política internacional. Sua singularidade reside precisamente no fato de que ele não rompe com a tradição colonial ocidental, mas a atualiza e a radicaliza. A Palestina ocupa, nesse sentido, o lugar de última fronteira de um projeto colonial que nunca foi superado, apenas reconfigurado. O discurso da segurança nacional encobre uma engenharia demográfica planejada, onde assentamentos funcionam como colônias modernas e os palestinos são relegados à condição de nativos descartáveis. Israel torna-se, assim, um laboratório privilegiado da modernidade ocidental: um espaço de experimentação de tecnologias bélicas, de vigilância e de repressão que, posteriormente, se transformam em mercadoria exportável no mercado global. O genocídio, nesse contexto, converte-se em ativo financeiro, e Netanyahu, longe de ser apenas chefe de governo, atua como gestor de uma necropolítica financeirizada.

A dimensão simbólica desse processo é igualmente crucial. O léxico da “autodefesa” e do “direito de existir” funciona como cobertura discursiva para a destruição cotidiana de uma população sitiada. O uso instrumental da memória do Holocausto, convertido em escudo moral contra qualquer crítica, aprofunda a perversão: a promessa do “nunca mais” universal cede lugar a um “nunca mais” seletivo, reservado a alguns povos e negado a outros. O resultado é a erosão definitiva da ética mínima que outrora orientava o direito internacional humanitário. A desproporcionalidade do uso da força em Gaza — onde caças, drones e arsenais nucleares são mobilizados contra uma população desarmada e confinada — não é um acidente ou excesso, mas o próprio núcleo da estratégia israelense.

Nesse sentido, Gaza torna-se o ponto de ruptura não apenas das convenções internacionais de guerra, mas da própria ideia de humanidade compartilhada. Se a lógica da guerra sempre supôs limites, ainda que frágeis, o caso de Gaza demonstra o colapso de qualquer pacto ético mínimo. A violência desproporcional e sistemática aplicada contra civis revela que a ordem internacional perdeu a capacidade de conter a barbárie, reduzindo-se a uma retórica seletiva que protege aliados e pune adversários. Netanyahu, portanto, não representa apenas o fracasso moral de um líder, mas a materialização de uma crise estrutural da modernidade política: a continuidade do colonialismo europeu em pleno século XXI, legitimada pelas potências ocidentais e convertida em paradigma de governança global.

1.

Benjamin Netanyahu ocupa hoje um lugar singular no cenário político mundial, e qualquer tentativa de comparação com outros líderes contemporâneos resulta em distorção analítica. Seus crimes não são ocasionais nem episódicos, mas constituem uma política de Estado consolidada, sustentada pelo aparato militar mais sofisticado e pela proteção diplomática das principais potências ocidentais. O bombardeio sistemático de civis, o bloqueio econômico prolongado e a negação de direitos básicos ao povo palestino compõem uma estratégia que ultrapassa a violência convencional de governos autoritários: trata-se da institucionalização aberta de práticas que se enquadram nos parâmetros do genocídio definidos pela Convenção de 1948.

A situação é ainda mais grave porque, ao contrário de outros líderes que enfrentam sanções, isolamento ou processos jurídicos, Netanyahu opera sob um manto de impunidade garantido pela ordem internacional dita “baseada em regras”. Enquanto a Rússia de Putin é alvo de condenações e punições, Israel, sob Netanyahu, continua a negociar livremente, receber apoio militar e ser tratado como parceiro legítimo, mesmo diante de crimes praticados em tempo real e transmitidos ao mundo inteiro. Essa assimetria revela que não se trata de um conflito entre iguais, mas de um colonialismo de ocupação que normaliza a destruição de uma população sem Estado, sem soberania e sem exército.

As tentativas de equiparar Netanyahu a outros líderes autoritários ou a organizações como o Hamas caem na armadilha da falsa simetria. Embora atos de violência praticados por grupos armados palestinos sejam condenáveis, não há equivalência possível entre uma organização não estatal e um Estado que detém a capacidade de transformar a violência em política permanente. Colocar opressor e oprimido no mesmo patamar é repetir a lógica colonial que legitima a barbárie do dominador. A singularidade dos crimes de Netanyahu reside justamente na banalização do genocídio em escala cotidiana, feito sob a justificativa da segurança, e na blindagem internacional que garante sua continuidade.

Diante disso, não há comparação possível. Nenhum outro líder atual reúne, ao mesmo tempo, crimes tão visíveis, tão sistemáticos e tão legitimados. Netanyahu é a personificação da falência ética do nosso tempo, a demonstração viva de que a promessa do “nunca mais” após o Holocausto se tornou farsa. Enquanto a exceção israelense for tolerada, o sistema internacional de direitos humanos permanecerá desacreditado e a própria ideia de justiça será reduzida a retórica vazia.

2.

Benjamin Netanyahu é mais do que um líder autoritário ou um chefe de governo envolto em crimes de guerra. Ele é herdeiro direto de uma longa tradição de colonialismo europeu que nunca se desfez, apenas se adaptou. A singularidade de Israel não pode ser compreendida sem ver nele a última fronteira de um projeto colonial que, desde o século XIX, desloca populações, redefine fronteiras e hierarquiza a humanidade entre aqueles que merecem viver e aqueles que podem ser eliminados. O que se apresenta como um “conflito” é, na verdade, a continuidade da lógica colonial: assentamentos como colônias, palestinos como nativos a serem expulsos ou administrados, e o aparato militar como ferramenta de engenharia demográfica.

Netanyahu apenas dá rosto a um processo mais profundo: a consolidação de um colonialismo de ocupação em pleno século XXI, blindado por um sistema internacional que reproduz os mesmos mecanismos de exclusão que legitimaram a escravidão, o apartheid e o imperialismo. A promessa liberal de autodeterminação dos povos nunca valeu para todos, e a Palestina é hoje o exemplo mais visível dessa seletividade. A ordem internacional dita “baseada em regras” é, na prática, baseada em exceções, e a exceção é sempre o outro racializado, o não-ocidental, aquele que pode ser sacrificado em nome da segurança e do progresso.

Nesse cenário, os Estados Unidos exercem um papel central. Washington não apenas garante a cobertura diplomática de Israel nos fóruns internacionais, como transforma Tel Aviv em laboratório privilegiado de tecnologias de guerra e de vigilância que depois são exportadas para o resto do mundo. Os bilhões de dólares em ajuda militar não são “apoio incondicional” apenas; são investimento estratégico em um modelo de controle populacional que se tornará padrão global. A guerra contra os palestinos é, portanto, também uma vitrine para o mercado internacional de armas e de tecnologias de repressão.

A União Europeia, por sua vez, encarna a hipocrisia moral mais escancarada. Enquanto emite declarações sobre direitos humanos e democracia, continua a importar armas e tecnologias israelenses, a investir em parcerias comerciais e a reforçar a cooperação em segurança. Bruxelas se apresenta como mediadora de paz, mas financia a continuidade da ocupação. Ao punir seletivamente atores como a Rússia, a UE demonstra que sua defesa do direito internacional não é universal, mas geopolítica: os princípios só valem contra adversários, nunca contra aliados estratégicos.

Essa duplicidade não é erro ou contradição, mas coerência histórica. O colonialismo europeu sempre operou pela distinção entre vidas que importam e vidas descartáveis. O que Netanyahu representa é a radicalização dessa lógica num contexto em que o genocídio é transmitido ao vivo, com câmeras, drones e redes sociais, e mesmo assim não desperta reação eficaz. Se no passado o horror colonial podia ser mascarado pela distância, hoje ele é normalizado pela proximidade, pela repetição incessante de imagens que banalizam a violência. 

Chamar Netanyahu de “monstruoso” pode soar tentador, mas é insuficiente. Ele não é um acidente moral, um desvio individual: é a expressão sistemática de uma ordem global que depende da exceção colonial para se sustentar. Israel não é uma anomalia no Ocidente; é sua continuidade mais fiel, sua zona de teste mais brutal. O genocídio palestino não é apenas a falência do sistema internacional de direitos humanos, é sua verdadeira face.

O que está em jogo, portanto, não é apenas a denúncia dos crimes de Netanyahu, mas o reconhecimento de que sua política só é possível porque o mundo ocidental a deseja, a financia e dela se beneficia. Enquanto EUA e União Europeia continuarem a blindar Israel, não se trata de um líder isolado que age contra o sistema, mas de um sistema inteiro que age através dele. O “nunca mais” prometido após o Holocausto revelou-se não um princípio universal, mas um privilégio restrito. Netanyahu apenas mostra ao mundo, com clareza cruel, que a modernidade ocidental nunca se desvencilhou do colonialismo, apenas o reconfigurou sob novos nomes e novas justificativas.

3.

Benjamin Netanyahu não é apenas um governante que institucionalizou o genocídio palestino; ele é também o arquiteto de um modelo político-econômico que conecta violência colonial a circuitos globais de lucro. Gaza não é apenas um território sitiado, mas um mercado de experimentação para armas, sistemas de vigilância e tecnologias de controle populacional. Cada bomba lançada, cada drone testado, cada software de reconhecimento facial usado contra palestinos se transforma em mercadoria exportável, em manual de instrução para governos interessados em aprimorar seus próprios mecanismos de repressão. O genocídio se converte em ativo financeiro, e Netanyahu se firma como CEO de uma indústria que lucra com a morte.

Esse processo não opera apenas no campo militar. A retórica da “segurança” se expande como paradigma de governança neoliberal: muros, checkpoints, algoritmos de risco e policiamento preditivo não são exceções israelenses, mas o futuro global que já se vende no mercado internacional. Israel se coloca como vitrine de eficiência repressiva, e sua guerra contra os palestinos alimenta uma economia transnacional onde a vida humana é quantificada em relatórios de performance. Netanyahu, nesse sentido, é menos um chefe de Estado e mais um gestor de necropolítica financeirizada.

Há ainda a perversão do passado: a memória do Holocausto, que deveria servir como advertência universal contra o extermínio, é instrumentalizada para justificar o massacre de outro povo. Netanyahu não hesita em mobilizar a herança da tragédia judaica como escudo moral, transformando qualquer crítica à ocupação em suspeita de antissemitismo. Esse uso cínico da memória converte o “nunca mais” em “apenas para alguns”, apagando a dimensão universal da catástrofe para reduzi-la a capital político. A ironia é insuportável: o sofrimento histórico é reconfigurado como justificativa para infligir sofrimento.

Internamente, Israel se degrada sob esse regime. A sociedade israelense é submetida a um processo contínuo de militarização, onde cada cidadão é ao mesmo tempo soldado potencial e cúmplice estrutural da ocupação. Dissidentes judeus que se opõem ao apartheid são perseguidos, silenciados e marginalizados. O espaço público se estreita, e a democracia israelense, celebrada no Ocidente, não passa de uma democracia etnocrática sustentada pela exclusão sistemática do outro. Netanyahu não governa contra a vontade da maioria: ele molda uma maioria disposta a naturalizar a violência como condição de sobrevivência nacional.

Nada disso poderia se sustentar sem o aparato simbólico que molda a opinião pública global. O léxico de “segurança”, “defesa” e “direito de existir” serve como cortina de fumaça que esconde o fato de que não há simetria, não há guerra entre iguais. O massacre é apresentado como autodefesa, e o colonizado é retratado como ameaça existencial. A linguagem é parte do armamento: cada palavra repetida pela imprensa internacional ajuda a normalizar o inominável, transformando genocídio em operação de rotina.

É por isso que Netanyahu não pode ser lido apenas como um governante brutal: ele é a engrenagem visível de um sistema global que conecta colonialismo, neoliberalismo e tecnopolítica em escala planetária. Seu legado não será apenas a destruição de Gaza, mas a consolidação de um paradigma em que o extermínio de populações inteiras se converte em inovação exportável, em produto de mercado, em política de Estado legitimada pelo Ocidente.

Netanyahu encarna, portanto, a fusão do passado colonial europeu, da violência racializada e do capitalismo digital contemporâneo. Seu nome ficará registrado não como uma aberração, mas como o exemplo perfeito de como a modernidade é capaz de transformar genocídio em negócio, memória em arma, e democracia em fachada para barbárie.

4.

A desproporcionalidade da violência de Israel contra Gaza não é detalhe colateral, mas o próprio núcleo da sua estratégia. O Estado que dispõe de um dos exércitos mais sofisticados do mundo, sustentado pelo fluxo constante de bilhões de dólares em ajuda militar, escolhe direcionar sua máquina bélica contra uma população empobrecida, encurralada e privada de qualquer possibilidade de defesa. O contraste é abissal: de um lado, caças F-16, drones armados, sistemas de interceptação e arsenais nucleares; do outro, foguetes improvisados, pedras e corpos desprotegidos. Chamar isso de “conflito” já é uma violência semântica: trata-se de massacre unilateral, de guerra assimétrica levada ao extremo.

O direito internacional humanitário, mesmo limitado, estabelece princípios claros: distinção entre civis e combatentes, proporcionalidade no uso da força, proteção de infraestruturas essenciais. Israel, sob Netanyahu, não apenas viola cada um desses parâmetros — ele os reconfigura como se fossem irrelevantes. Hospitais, escolas, abrigos da ONU, sistemas de água e eletricidade tornam-se alvos legítimos em nome da “segurança”. A vida civil deixa de ser zona protegida para se transformar em campo de experimentação bélica. É nesse ponto que o massacre em Gaza rompe não apenas tratados ou convenções, mas qualquer noção de ética mínima que pudesse restar na guerra.

A desproporcionalidade não é fruto do acaso: é política deliberada. O objetivo é o terror pedagógico — esmagar não apenas corpos, mas também a possibilidade de resistência futura. Bombardeios de intensidade absurda sobre áreas densamente povoadas não buscam eliminar alvos militares, mas desarticular uma sociedade inteira, destruindo sua infraestrutura, sua memória, seu horizonte. É a lógica do “fazer o deserto e chamá-lo de paz”.

Ao agir assim, Israel não apenas desrespeita convenções internacionais: ele rebaixa a própria ideia de “pacto de guerra” a cinzas. Mesmo nas guerras mais brutais do século XX, sempre houve a pretensão de regras, a tentativa de estabelecer limites mínimos para conter a barbárie. Gaza representa a erosão definitiva desse pacto. Se um Estado pode bombardear impunemente hospitais cheios de crianças e ser ainda assim tratado como “democracia” e “aliado”, então não resta mais nenhum parâmetro. A exceção se torna a regra, e o genocídio passa a ser aceitável desde que travestido de autodefesa.

A desproporcionalidade, portanto, não é apenas uma violação técnica de tratados. É o colapso ético do nosso tempo. Ela revela que a ordem internacional já não tem mais autoridade nem coerência, e que o conceito de “direito humanitário” é hoje uma ficção mantida apenas contra inimigos convenientes. Gaza expõe o abismo: quando a força do mais forte é aplicada sem freios sobre os mais frágeis, a humanidade como um todo é reduzida à condição de refém da violência bruta.

Considerações Finais

As análises empreendidas ao longo deste ensaio permitem afirmar que Benjamin Netanyahu não pode ser compreendido como mera figura contingente da política israelense ou como exemplo isolado de autoritarismo. Ao contrário, ele encarna a continuidade de uma lógica colonial reatualizada, sustentada tanto pela violência militar quanto por um sistema internacional que legitima seletivamente a barbárie. A institucionalização do genocídio palestino, travestido em retórica de segurança, não é apenas resultado de decisões individuais de um governante, mas expressão sistêmica de um modelo de poder que articula colonialismo, neoliberalismo e tecnopolítica em escala global.

A desproporcionalidade da violência de Israel contra Gaza, longe de ser um detalhe periférico, constitui o núcleo estruturante dessa política. A transformação deliberada de civis, hospitais, escolas e infraestruturas vitais em alvos militares revela não apenas a violação de convenções humanitárias, mas a erosão completa da ideia de um “pacto de guerra”. O massacre unilateral, sustentado pela superioridade tecnológica e pela blindagem diplomática, rompe qualquer parâmetro ético que ainda pudesse orientar o direito internacional. Quando o genocídio é normalizado e transmitido em tempo real, sem que haja reação eficaz das potências ocidentais, o próprio conceito de humanidade universal é colocado em xeque.

Dessa forma, a singularidade de Netanyahu reside menos na sua excepcionalidade e mais na sua exemplaridade. Ele não é um acidente histórico, mas a face visível de uma ordem global que depende da exceção colonial para se reproduzir. Israel, nesse sentido, funciona como laboratório de práticas de repressão, tecnologias de vigilância e modelos de governança que são posteriormente exportados e naturalizados. O genocídio, convertido em ativo financeiro e em vitrine de inovação militar, deixa de ser apenas um fenômeno regional para tornar-se paradigma transnacional.

As implicações são profundas. A Palestina expõe não apenas o fracasso do sistema internacional de direitos humanos, mas sua própria natureza seletiva e instrumental. A promessa do “nunca mais”, formulada após o Holocausto como horizonte ético universal, revela-se, no presente, um privilégio restrito, reservado a alguns povos e negado a outros. A impunidade de Israel, garantida por Estados Unidos e União Europeia, mostra que o direito internacional continua a operar segundo hierarquias coloniais de vida e de morte.

Em síntese, o legado de Netanyahu não se limita à destruição de Gaza ou à perpetuação da ocupação. Ele cristaliza o colapso ético do nosso tempo e a radicalização de uma lógica que atravessa a modernidade desde suas origens coloniais. Reconhecer esse processo não é apenas denunciar os crimes de um líder, mas compreender que, enquanto a ordem internacional seguir blindando Israel, não se trata de um governante que age contra o sistema, mas de um sistema inteiro que age através dele. A questão palestina, nesse sentido, não é apenas um conflito regional: é o espelho em que a humanidade vê refletido o abismo de sua própria falência moral.

Referência

GERSTENBERG, Frank. 1948: ONU classifica genocídio como crime, 2014. Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/1948-onu-classifica-genoc%C3%ADdio-como-crime/a-686297>. Acesso em: 08 set. 2025.

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