Fechamento das escolas para evitar variante da Índia!

Elisângela Maria de Oliveira Sousa
Doutoranda PPG-Sociologia/UFC



Elisângela Maria de Oliveira Sousa
Doutoranda PPG-Sociologia/UFC


452.224 histórias interrompidas, projetos cancelados, amores separados. A pandemia e a “crise” contemporânea impulsionaram o aumento de riquezas em descompasso com a distribuição per capita; a desvalorização da mão de obra à despeito da busca do lucro; a subjunção do trabalho ao Capital (MÉSZÁROS, 2011).
Nas escolas e universidades públicas, ao invés das aulas presenciais, ensino remoto, a princípio, conduzido por professores sem prévia experiência no manejo de tecnologias virtuais e estudantes sem internet nem notebook ou smartphones. Na rede privada, o ensino híbrido intensificou a exploração do trabalho, expondo professores(as) e estudantes ao vírus. As aulas remotas garantiram a manutenção de centenas de milhares de empregos/trabalhos, desnudando as desigualdades que afetam, de múltiplas maneiras, o direito à educação.
Com o Decreto Estadual Nº 34.043 (24/04/2021), o SINEPE-CE e o Movimento Escolas Abertas Ceará, defendem o retorno das aulas presenciais na Educação Básica, negligenciando a iminência da “terceira onda” e o aumento de mortes na educação. Maranhão, Pará, Rio de Janeiro e Ceará registraram casos da variante indiana (B.1.617).
O DIEESE (2021) constatou o crescimento de 106,7% nos desligamentos por morte no  empregoceletista entre os profissionais da educação da rede privada.
Para Bolsonaro, os professores não querem trabalhar. Na verdade, os profissionais da educação passaram a trabalhar mais e a receber menos; não ficaram inertes, pelo contrário, “continuaram com seus processos de socialização e diferentes iniciativas educacionais foram implantadas” (MARTINS; ALMEIDA, 2020, p. 19). O que fazer? Voltar ao trabalho presencial? Escolher entre salário ou demissão por justa causa? Lecionar para comer, arriscando-se ao contágio ou ficar sem trabalhar? Durante a pandemia, a defesa do direito à educação, ao trabalho, ao alimento etc. de nada valerão se não houver Vida.
“Há duas maneiras de matar: uma, que se designa abertamente com o verbo matar; outra, aquela que fica subtendida habitualmente sob este eufemismo delicado: ‘tornar a vida impossível’. É a modalidade de assassinato lento e obscuro, que requer uma multidão de cúmplices invisíveis”. (GRAMSCI, 2015, p. 98)

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