Os devaneios da esquerda com projetos nacionais

Euler Conrado

Durante décadas, era comum ouvirmos de setores da esquerda uma crítica aos partidos comunistas ligados à então União Soviética de que essas organizações eram etapistas, ou seja, defendiam a revolução supostamente socialista por etapas. Era preciso, segundo o manual dos partidos comunistas, realizar primeiramente uma revolução nacional burguesa nos países ditos periféricos, para depois, aí sim, poder se pensar numa revolução proletária, supostamente socialista. O comunismo? Ah, sim, isso viria numa outra etapa, talvez no século 35. Contudo, os setores da esquerda mundial que criticavam os partidos comunistas contrapunham-se a esse etapismo com o que seria, supostamente, uma revolução proletária nacional, sem passar pelas etapas defendidas pelos partidos comunistas.
Segundo esses setores, era preciso construir uma alternativa independente, do proletariado, que não ficasse a reboque da burguesia, e pudesse organizar uma suposta revolução socialista… NACIONAL. Fiz questão de destacar esse conteúdo regional-nacionalista da suposta revolução socialista para demonstrar o quanto a esquerda mundial, nas suas diversas colorações ideológicas, estava – e continua -presa aos devaneios que a impedem de romper teórica e praticamente com a lógica da reprodução do capital. No fundo, essa esquerda que se considera revolucionária e “anticapitalista” e os antigos partidos comunistas diferem na forma, mas estão muito mais próximos no conteúdo do que se imagina. Ambos abandonaram a perspectiva original marxiana de unidade mundial do proletariado para se emancipar das relações fetichistas do capital.
A experiência histórica mundial, em mais de 100 anos, demonstrou com sobejas provas e tentativas, que a fórmula aplicada dogmaticamente pelas esquerdas, de tomada nacional de poder para construir um suposto sistema socialista, fracassou.
Não há um único exemplo de êxito nessa fórmula construída pela esquerda que envolve: a) a concepção de partido como destacamento avançado do proletariado, b) a formulação de um suposto programa anticapitalista; e c) a construção de uma alternativa de poder nacional, seja via eleições ou através de processos revolucionários.
Na minha humilde avaliação – e considero que eu seja uma voz praticamente isolada, que clama no deserto – essa fórmula está absolutamente equivocada em todos os pontos citados. A experiência história submetida à crítica marxiana do capital demonstra, pelo menos para mim, que a esquerda, enredada nessa perspectiva, não consegue superar o redemoinho diabólico da reprodução do capital e acaba criando e alimentando ilusões entre os trabalhadores, levando-os às derrotas, e cuja consequência tem sido a debandada de parte do proletariado para ideologias burguesas, incluindo o fascismo e suas variantes de extrema direita.
Na riquíssima e imortal análise crítica que Marx submeteu o capital e sua reprodução, mesmo para iniciados (meu caso), fica demonstrado que o capitalismo não oferece alternativa para o proletariado, a não ser continuar explorando sua força de trabalho para gerar lucros, gerar riquezas que são apropriadas pela burguesia, que nada produz, e que acumula cada vez mais riquezas. Passados alguns séculos desde o surgimento histórico do capitalismo, que moldou o mundo à sua face monstruosa, somam-se algumas poucas dezenas de bilionários que acumulam riquezas equivalentes a de mais da metade de toda a população mundial. Ou seja, milhões morrem de fome, sem teto, sem assistência mínima, enquanto alguns poucos levariam milhares de anos – isso mesmo, sem exagero – para gastar a fortuna acumulada, fruto da exploração dos trabalhadores no processo de reprodução do capital. Bastaria esse recorte apenas da realidade para demonstrar o quanto o capital nada tem a oferecerpara a humanidade, a não ser o sofrimento e a dor para a maioria dos trabalhadores, e a opulência e o farto deleite da minoria burguesa.
Ou seja, nos marcos do capital, não há saída que interessa ao proletariado, a não ser enquanto resistência e disputa de parte da mais-valia (trabalho não pago e expropriado dos trabalhadores pela burguesia). Resistência e conquistas imediatas para garantir uma sobrevivência com o mínimo de dignidade, até que o proletariado, enquanto classe MUNDIAL – é preciso dizê-lo com letras garrafais – adquira consciência de classe para si, se auto-organize e destrua as relações capitalistas, emancipando-se da escravidão assalariada e construindo uma outra relação social, não mais mediada pelo valor-mercadoria, pelo dinheiro, relações estas fetichistas, que impedem o proletariado de entender o processo de exploração a que está submetido. Construir uma outra relação social, COMUNISTA, baseada na solidariedade, na apropriação direta das fontes de vida e dos meios de produção pelos trabalhadores do mundo inteiro, que saberão (saberemos) organizar a repartição das riquezas que nós produzimos, e que, no capitalismo, são apropriadas por aqueles que nada produzem, a burguesia.
Até o ponto da crítica ao capital em suas entranhas e artimanhas, com diferentes ciclos de crises, a esquerda mundial conseguiu chegar. Contudo, o desdobramento dessa crítica, naquilo que Marx chamaria de ter que transformar e não apenas interpretar e analisar, aí a coisa desanda. As críticas de conjunto ao capitalismo mundial desembocam imediatamente para o plano nacional, como se estivéssemos lidando com vários sistemas capitalistas e não apenas o mesmo, embora com diferentes formas de exploração no que tange à intensidade, à expansão e à acumulação. O capitalismo navega tranquilamente os diferentes mares e oceanos divididos em repartições geográficas e geopolíticas, mantendo na essência, o mesmo conteúdo, de exploração, reprodução e centralização de capitais em poucas mãos.
Tudo baseado na apropriação da mais-valia arrancada dos trabalhadores no processo de reprodução do capital.
Em larga medida, a esquerda, tanto a etapista quanto a supostamente revolucionária
nacionalista, contribui para que a burguesia mantenha seu poder, seu reinado, assegurado pela divisão regional e dispersa do proletariado, que é chamado a lutar pela sobrevivência – o que ocorre independentemente de qualquer chamamento “de fora” – e a sonhar com a utopia de construção de “socialismos” nacionais. Como se fosse possível construir um sistema diferente do capitalismo… dentro do capitalismo.
Marx e Engels criticaram, em sua época, várias experiências utópicas de cooperativas ou até mesmo de “socialização” de empresas como tentativas bem intencionadas, porém utópicas, pois, submetidas à lógica da reprodução mundial do capitalismo, acabariam por se render à essa lógica, não conseguiriam portanto sobreviver ao dragão do mal. A esquerda, mesmo tendo vivido e visto as experiências, heroicas tentativas, que Marx e Engels não puderam acompanhar, tais como as revoluções russa e chinesa, para ficarmos nesses dois exemplos, de tomada revolucionária do poder do estado para uma tentativa de construir um suposto socialismo nacional, ainda assim, a esquerda continua crendo nesse formato.
No Manifesto do Partido Comunista de 1848, Marx e Engels fazem um apelo ao proletariado do mundo: uni-vos! Seu conteúdo, não tendo ainda Marx produzido sua principal obra de crítica da economia política, O Capital, revela já os traços essenciais do sistema capitalista, que moldara o mundo à sua forma-valor; e que, ao mesmo tempo, seria o único sistema historicamente conhecido, que engendrara no seu interior aqueles que, na luta pela sua emancipação, teriam necessariamente que emancipar toda a humanidade dessa forma de sociedade baseada na escravidão assalariada. Ao proletariado mundial, pelos seus interesses comuns de classe, e pela sua condição de classe despojada dos meios de produção e tendo que se vender enquanto mercadoria ambulante, portadora da força de trabalho a ser explorada pelo capital, caberia essa grandiosa tarefa emancipatória.
Apesar das diferenças regionais, nacionais, tribais, e outros sais, a crítica ao capital é uma crítica sistêmica, enquanto relação social mundial, cuja reprodução obedece as mesmas leis intrínsecas à essa forma social. As diferenças regionais e nacionais se complementam, mais do que se opõem, no processo de reprodução de capitais, ainda que eivado de disputas, e tragédias mundiais e locais, com guerras e levantes e revoluções. Nada disso, contudo, conseguiu romper a lógica dominante da reprodução do capital, que se refaz, concede terreno aqui, e retoma com maior virulência acolá. Ao contrário do proletariado orientado pelos autoproclamados guias geniais, os capitalistas não se deixam aprisionar com projetos regionais e nacionais, sabendo se articular mundialmente para massacrar os trabalhadores e garantir seus fabulosos lucros.
Enquanto as disputas se mantenham no leito nada calmo da reprodução do capital nas suas formas regionais, a emancipação do proletariado fica para as calendas gregas. A esquerda está presa a esse leito de morte para o proletariado.
Comecemos pela ideia de partido, dito de esquerda, obviamente, seja de tipo leninista ou mais amplo. O pressuposto é o mesmo: trata-se de grupos de pessoas que se autoproclamam destacamentos avançados do proletariado. Criticam a representação parlamentar burguesa, que reflete a inversão própria do capital, e mesmo assim se apresentam na cara dura como supostos representantes do proletariado, sem que tenham sido eleitos para tal – o que já seria uma quase anulação do proletariado; ou nem mesmo à moda da Comuna de Paris (1871), que sabiamente introduziu a (re)mobilidade a qualquer tempo dos seus indicados para os conselhos. Os partidos não. Nascem da vontade pessoal de alguns poucos, que formulam normas, regras, criam hierarquias internas, a reproduzir as formas hierárquicas do Estado capitalista, que por sua vez reproduz, em maior ou menor grau, a disciplina e a hierarquia próprias da escravidão assalariada no processo de reprodução de capitais. Comandos, chefes; alguns a mandar e a se apropriar das maiores fatias e privilégios; outros, a maioria, a obedecer e a fazer, cegamente, em troca de migalhas.
A ideia de partido enquanto vanguarda, destacamento avançado ou algo semelhante, é uma deturpação, uma usurpação do real sentido que Marx atribui ao “partido da classe operária”, que é a própria classe operária, ou o proletariado auto-organizado enquanto classe em si e para si. O sentido de partido é o claro reconhecimento ou o entendimento de uma sociedade dividida em classes antagônicas – burguesia e proletariado – e que, por isso mesmo, não deve o proletariado se deixar enganar com projetos de “nação”, ou qualquer coisa que tente vender a ideia de que as classes sociais têm interesses comuns, que possam conviver pacificamente no interior do capitalismo. O partido é a classe auto-organizada, que se assume enquanto classe, separada – partido – das outras classes, sobretudo da burguesia, e que assume a perspectiva de libertação, de emancipação mundial da escravidão assalariada. Claro que pode e deve haver formas organizativas como sindicatos, círculos operários, grupos e coletivos comunistas, desde que não se coloquem como guias ou representantes do proletariado.
Marx e Engels insistem: a revolução proletária será obra coletiva do próprio proletariado. Ou não será. Ou não haverá revolução proletária emancipatória. Isso tem um sentido muito claro e profundo. Para se emancipar, o conjunto do proletariado mundial precisa ter consciência de classe, precisa se auto-organizar, e que nessa auto-organização, o proletariado já construa o embrião das novas relações que devem sobrepor-se ao cadáver ambulante do capital. E se for para emancipar-se de fato do capital, e não apenas em palavras ocas, terá o proletariado que construir uma força social horizontal, auto-organizada, não baseada em hierarquias que submetem uns – a maioria – aos mandos de outros – a minoria. Em outros termos, submetem a maioria à dominação de classe, seja ela formalmente constituída enquanto burguesia, ou enquanto aparato burocrático de um partido, ou de um suposto estado proletário burocratizado.
Por mais bem intencionadas e heroicas tenham sido as revoluções russa, chinesa, cubana, e todas as outras formas de ascensão da esquerda ao poder nacional de qualquer parte do planeta, nunca, nenhuma delas, conseguiu sair um milímetro sequer da reprodução do capital. Tanto nas formas de comandos hierárquicos, a expressar a anulação do proletariado enquanto classe para si, quanto também na manutenção da escravidão assalariada. Mesmo quando tenha havido uma melhor repartição da maisvalia arrancada dos trabalhadores em forma de políticas públicas, o que aconteceu também em vários países tidos como “desenvolvidos” do capitalismo.
Há muita confusão em relação a esses processos conhecidos como sistemas socialistas. Particularmente, considero isso, hoje, um grande equívoco. A esquerda
criou na teoria um sistema dito intermediário entre o capitalismo e o comunismo, uma espécie de purgatório, no qual o proletariado e burguesia, ainda sobreviventes
num mesmo sistema, teriam que purgar os seus pecados para encontrar, lá no final, o
paraíso prometido, o comunismo. Algo mais afeito às religiões do que à experiência
histórica concreta da luta do proletariado contra a exploração capitalista.
Eu insisto: o capitalismo deve ser totalmente destruído, superado por uma outra
relação social, que nascerá – ou não nascerá nunca – enquanto obra coletiva do
proletariado mundial. A ideia de “libertar” os países (??que entidade é essa?) do capital, mantendo-o necessariamente ligado ao sistema capitalista mundial é um dos maiores devaneios que a esquerda cultuou e mantém ainda enquanto fórmula, aparentemente mais fácil de encurtar caminho para o socialis…, não, para o capitalismo. O velho e carcomido capitalismo, que a tudo devora, inclusive a esquerda que não consegue se livrar mentalmente dessa forma e seus instrumentos.
Qualquer iniciado no marxismo – eu inclusive, que nunca saí dessa condição – aprende desde cedo que a “questão do poder é a questão fundamental”. E para resolver esse problema colocado, é preciso construir um partido, um destacamento avançado autoproclamado enquanto tal, para organizar as massas para tomarem o poder nacional sob a direção desse partido. Vejam a nossa (me incluo, por ter defendido isso por muito tempo) arrogância. E ignorância também, de achar: primeiro, que poderíamos dirigir o proletariado para tomar o poder ou constituir um poder paralelo num mesmo território geograficamente delimitado e submetido a um sistema mundial; segundo, que seria possível construir um outro sistema dentro do mesmo sistema capitalista. E terceiro, que aproveitando o estado, a hierarquia coercitiva e todos os métodos ligados à máquina do estado capitalista para explorar e reprimir os trabalhadores, faríamos a mágica de transformar isso num sistema socialista, como ante sala do comunismo.
Qualquer militante de esquerda dirá que se trata de tomar o poder para colocar em prática um suposto “programa anticapitalista”. Alguns se aventuram a dizer, como se isso mudasse a essência, que se trata de um programa revolucionário, socialista.
Ora, por que não? Assim também pensavam os socialistas utópicos de Marx e Engels. Por que não começarem por uma fábrica, senhores? Ou por uma fazenda? Ou por uma cooperativa? Tudo tão mais fácil e tão mais rápido, não? O problema é saber se de fato estamos nadando contra ou a favor de uma mesma correnteza.
Afinal, o que seria um programa anticapitalista aplicável nacionalmente no interior de um sistema mundial capitalista? Eis uma pergunta problema de difícil solução. Vamos lá: reforma agrária radical (adoro essas adjetivações que dão uma aparência explosiva: radical, radical rsrs). Quase todos os mais ricos países capitalistas fizeram reforma agrária, alguns até de forma radical, de fato. Nunca saíram um centímetro do capitalismo, pelo contrário, criaram mercado novo de consumo, de exploração de mão de obra barata, de propriedade privada.
A estatização das grandes empresas e bancos. Mesmo que queiram dar o nome pomposo de “socialização”, na prática não se trata de nada mais do que estatizar empresas privadas para colocá-las a serviço do… capital. A China que o diga. Nem vou mencionar a extinta URSS, que socializou, vá lá, tudo, num primeiro momento, recriando em seguida o mercado que nunca deixou de existir, até constituir uma burguesia estatal em forma de burocracia, para garantir a exploração do proletariado no desenvolvimento um pouco mais acelerado da reprodução do capital. Estatização de empresas, pequenas ou grandes, nada tem a ver com comunismo. É preciso, antes, indagar: quem se apropriou dessas empresas? Os trabalhadores auto-organizados ou o estado dito proletário ou popular? A mão de obra assalariada foi extinta? Ou os trabalhadores estão tendo que trabalhar em dobro para suportar o boicote e pressões internacionais do sistema capitalista contra aquele filho rebelde do sistema? Ou se pensará no socorro internacional de um proletariado ainda adormecido e subordinado ao chamamento nacional feito pelos partidos de cada país? Talvez fosse mais interessante pensar, primeiro, numa unidade internacional do proletariado, e não depois de haver tomado o poder isoladamente, colocando-se como tarefa, nada mais, nada menos, do que gerir a crise do capital local, agravada essa crise pelo isolamento imposto, como castigo, pelos donos do capital.
Uma coisa é a luta contínua, de resistência e conquistas nas disputas internas por frações da mais-valia apropriada pela burguesia e seu estado. Inclusive com as vitórias de projetos progressistas como o PT no Brasil, o MAS na Bolívia, e tantos outros, que podem, sim, garantir pequenas conquistas a mais na luta pela sobrevivência dos trabalhadores. Sem, obviamente, deixar de denunciar estes projetos pelo que são: de conciliação de classes, reformistas, etc. Ou mesmo diretamente nas lutas de classe, nas greves e levantes, quando o proletariado arranca conquistas como redução de jornada de trabalho, aumentos salariais, e ampliação de espaços democráticos, todos necessários e legítimos no processo de acumulação de força.
Mas, claramente sabendo que não se trata de estar superando o capital; nenhuma dessas conquistas representa um centímetro fora do órbita do capital. Embora sejam todas elas importantíssimas, tais como as políticas públicas de saúde e Educação, entre outras, enquanto conquistas arrancadas da burguesia na disputa por maiores frações da mais-valia que essa burguesia se apropria dos trabalhadores no processo de reprodução do capital.
Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, dizia o filósofo. Uma coisa é contribuir para a construção de um forte movimento internacional do proletariado, de forma horizontal, auto-organizada, com o claro objetivo de destruir o capitalismo e seus poderes e construir outras relações sociais. Outra coisa, bem diferente, é contribuir para manter o proletariado preso nas entranhas do capital, lançando mão de fórmulas mágicas, que aparentemente encurtam caminho, mas na prática mantém o mesmo horizonte perdido do capital.
O grande desafio colocado pelos fundadores da crítica radical do capital – proletariado do mundo, uni-vos! – deveria ser levado mais a sério. É preciso construir essa unidade horizontal, em torno de demandas comuns para acumular força – como a luta por uma jornada de trabalho comum mundialmente, e de um auxílio desemprego para todos os desempregados do mundo. Demandas que estão ainda
presas ao capitalismo, mas fortalecem a unidade mundial do proletariado, até que ele esteja pronto para dar um golpe mortal nesse sistema. E a par disso, enquanto acumula força, associar essa luta geral com as lutas locais de resistência, sobrevivência e conquistas de partes da mais-valia arrancada dos trabalhadores. É a luta por políticas públicas de saúde e educação gratuitas e universais; de aumentos salariais, de maior participação dos trabalhadores nas decisões das políticas públicas; de combate à repressão e perseguição aos trabalhadores e suas formas de organização; de combate sem trégua aos governos de extrema direita, impondo o isolamento e a derrota política dessas forças; o combate aos cortes nas conquistas e direitos por governos liberais ou progressistas que se aventurem a esse ataque aos interesses de classe do proletariado. A construção, enfim, na prática e no cotidiano da unidade na luta do proletariado local e mundial, sabendo associar essas lutas de conquistas e resistência locais ao objetivo maior e emancipatório, de classe e de luta, do proletariado auto-organizado enquanto classe em si e para si.
A esquerda não precisa se preocupar em tomar poder para o proletariado – eu enquanto parte do proletariado agradeço e dispenso esse esforço em meu nome – já que nosso real poder se construirá na unidade mundial do proletariado. Nós temos o poder de produzir todas as riquezas do mundo. Só precisamos ter consciência disso e querer nos libertar das algemas que nos mantêm presos a um sistema cuja reprodução está voltada para que alguns se apropriem daquilo que nós produzimos. Temos que nos organizar coletivamente para controlar diretamente, sem intermediário, daquilo que fazemos, repartindo entre nós, sem a mediação do dinheiro, do mercado ou do estado, de acordo com as nossas necessidades reais. Assim, e somente assim, nada de essencial faltará para ninguém, e nada sobrará com fartura para alguns poucos.
26 de Julho / 2021

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