Barragens ao consumo popular e burguesia psicótica: sobre a estrutura do controle e artificialidade dos preços que destroem a vida dos párias sociais.

Por Leonardo Lima Ribeiro

Não me lembro qual foi a última vez que, na politologia vulgar, debateram seriamente e criticaram de modo sistemático o círculo vicioso que se dá na relação muito pouco lubrificada entre IBGE (por arbitrariedades sobre o que o povo estatisticamente necessita) e Copom/Bacen, precisamente quando formam uma dupla hábil e ardilosa na definição da Selic como taxa de juros que determina em efeito cascata o mau-estar da maior parte dos párias sociais.

De antemão, cabe também lembrar que a determinação forçada do aumento das taxas de juros da Selic, por exemplo, sempre está apoiada na dinâmica dos discursos acintosos a respeito da redução da inflação dos preços. Expandem por meio do COPOM a taxa de juros, com o objetivo de reduzirem a inflação.

O argumento clássico da burguesia é o de que é preciso pesar a mão no aumento da taxa de juros para combater o excesso de moedas impressas e distribuídas socialmente, pois se trata de um fator gerador de inflação. Quanto mais moeda em circulação na sociedade, dizem, maior a inflação. Papel em excesso é papel barato. Assim, reiteram que o excesso de moeda gera o que chamam de liquidez monetária, o que desemboca na desvalorização da moeda.

Nada melhor do que então elevar artificialmente os preços das mercadorias. Sob qual alegação? Segurar a onda da velocidade do poder de compra por excesso de moeda em mãos, ação que levam a ser assertivos na injunção fictícia de equilibrarem o poder de compra dos trabalhadores com a velocidade de produção dos produtos a serem vendidos. Para a burguesia, não há tempo de o mercado produzir o quantitativo de mercadorias, na garantia da sua oferta para aqueles que precisam de seus produtos. Mantém os preços elevados enquanto o poder de compra do trabalhador não é reduzido. Se for o caso, chegam a tirar produtos de prateleiras e mentem alegando crises de abastecimento.

Assim, a inflação é então um meio de reduzir forçosamente o consumo, principalmente o popular. O proletariado passa a ver seu suado dinheiro, conquistado por meio do suor de seu rosto, erodir enquanto meio de pagamento de produtos para suas necessidades básicas. Relembremos, burguesia ensandecida expressa assim que a produção dos materiais a serem ofertados não acompanha o ritmo, ou melhor, não é proporcional ao “excesso” de moeda que circula nas mãos das pessoas assalariadas.

Consequentemente, a burguesia alega que os mercados ancorados no sistema financeiro nacional devem imperativamente inflacionar os preços dos produtos, artificialmente reduzindo o poder de compra dos párias sociais. Com mais moeda na mão dos párias sociais, são criados mecanismos de fuga de produtos das mãos dos proletários, justamente nas ocasiões em que eles passam a ter mais condição de compra, dando algum suspiro de sobrevida.

É assim que, inclusive, o acesso à cesta básica fica comprometido. Por mais que o salário recebido não seja tão baixo em alguns casos se torna claramente evidenciado o fato de que o dinheiro percebido é transmutado em alguma espécie de papel podre, sem serventia para as necessidades básicas daqueles que labutam para se manterem em gestos de sobrevida.

Ora, como se o inferno já não estivesse teluricamente assentado no cotidiano das classes trabalhadores, vemos uma espécie de combate à inflação que é tão ardilosa quanto a desculpa acintosa que gera tal inflação. Para combater a artificialidade da inflação um órgão interno ao Banco Central, intitulado de COPOM, segue em frente decidindo sobre a vida e a morte da esmagadora maioria das pessoas. Mas agora com um procedimento ainda mais cínico.

Trata-se da elevação da taxa de juros. Ela ocorre com o objetivo de, nada mais nada menos, embarreirar ainda mais o poder de compra dos proletários. Como se não bastasse o aumento repulsivo e artificial dos preços via inflação, realizam uma doutrina de choque ainda mais brutal, a saber: redução do crédito aos desesperados e, consequentemente, diminuição drástica da quantidade de moeda nas mãos dos esfolados vivos.

Alegando reduzirem os preços dos produtos ofertados nos mercados pela burguesia para seu público seleto resolvem o problema subindo a principal taxa de juros do país, a Selic. Quando sobem a taxa juros, a demanda por empréstimos diminui. Os juros altos endividam, gerando receio na recorrência aos empréstimos. Trata-se de um freio radical na possibilidade de solicitação de recursos para consumo. Concretamente, o que aqui está em questão é a covardia desumana de criarem condições reais de impedir o acesso ao único meio de troca de mercadorias que atualmente compra, por exemplo, uma cesta básica.

Ou seja, a burguesia só controla ou reduz o preço de seus produtos se, de uma maneira eugenista, associar-se antecipadamente ao Banco Central e ao COPOM com objetivo de impedir o proletário de ter acesso à moeda que serve de meio de acesso à sobrevivência. Não há nada mais fascista do que retirar das mãos dos sem nada os meios de sobrevida.

Não por acaso o bolsonarismo como fenômeno político tinha como um de seus principais operadores Paulo Guedes. A mensagem estava dada. E era bem clara. Se não matam pela violência das tropas de choque burguesas, assassinam pela gangorra de subidas e descidas da inflação ou das taxas de juros.

A dupla (IBGE e COPOM) toma de antemão o IPCA (Índices de preços ao consumidor amplo) do Conselho Monetário Nacional como ponto de partida, metamorfoseando tal IPCA com critérios metodológicos extremamente duvidosos.

Ao repassar no varejo os valores definidos hierarquicamente para a população mais vulnerável, trata-se de um tiro de bazuca sobre a pele que reveste tantas barrigas vazias. Essa é a fonte primária que leva a nos encontrarmos com tantos famintos em filas e entradas de supermercados, solicitando que, por meio da solidariedade individual, completemos com nosso apoio os valores das cestas básicas destinadas a alimentarem os filhos famintos que seguram nos braços ou, quando sozinhos, solicitam a compra de jujubas para completarem o orçamento familiar.

Sem atentar para essa temática, qualquer social democrata se torna semelhante a um reacionário da pior categoria, uma vez que não promove e nem organiza na forma de pensamento pedagógico e politizador os meios reais de se estabelecer algum combate sincero contra a máquina de moer gente em território nacional, chamada de capitalismo implosivo de baixa densidade econômica, mas de alta densidade psicótica e genocida.

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